Uma lição violenta demais
Uma lição violenta demais
ReproduçãoAssassino(s) expressa o vácuo existencial da sociedade contemporâneaO diretor francês Mathieu Kassavitz se tornou conhecido em 1996 quando ganhou, em Cannes, a Palma de Ouro de Melhor Diretor por Ódio e também o César de Melhor Filme. A partir de então, este jovem cineasta passou a ser visto como uma promessa para o cinema francês. No entanto, seu novo filme Assassino(s), que acaba de ser lançado em vídeo, frustrou as expectativas. Apresentado na Seleção Oficial de Cannes de 1997, a produção causou um profundo mal-estar na platéia.
Devido à violência de seus filmes, Mathieu Kassavitz foi apontado como o Tarantino da França. Mas a comparação não corresponde à realidade. Para relatar a decadência de um velho matador que já não consegue cumprir suas encomendas, precisando encontrar um discípulo para dar continuidade ao seu ofício, o diretor constrói um filme de um vazio estarrecedor. Talvez a intenção seja realmente essa: expressar o vácuo moral e existencial da sociedade contemporânea. O problema é que nada parece verdadeiro em Assassino(s). Ao pretender dissecar a alma humana, o diretor não vai além da superfície da pele.
Mathieu Kassavitz, que também atua no filme, interpretando o papel de Max, tem um inegável talento como diretor. A escolha dos enquadramentos é precisa e o casamento entre ritmo e música é perfeito, mas a construção dos personagens é totalmente desconexa. O diretor caprichou na técnica, mas escorregou na dramaturgia. Além de não disfarçar um certo narcisismo ao reservar para si mesmo os melhores closes.
Assassino(s) cria uma atmosfera cool que valoriza o mundo vazio e melancólico dos personagens, mostrando uma juventude vulgarizada e desorientada. Na falta de uma idéia mais original, o diretor joga a culpa dessa banalização sobre a televisão que está presente em 80% das cenas. A produção do filme é de Christophe Rossignon, o mesmo de O Cheiro da Papaya Verde e a trilha sonora é de Carter Burwell, músico preferido dos irmãos Coen.
Duração: 134 minutos.
(C.M.)





