Uma lição de amor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Carol F. Spíndola<br> Especial para a Agência Estado 
Ao escrever o livro infanto-juvenil Um Amigo Diferente?, a jornalista e escritora Cláudia Werneck teve como principal objetivo levar às salas de aula e aos lares brasileiros a discussão sobre as diferenças individuais, contribuindo para que a sociedade aceite a sua própria diversidade.
Lançado pelo selo da WVA Editora/RJ, o trabalho da jornalista foi apresentado a cientistas e profissionais das áreas de saúde, educação e reabilitação de todo o mundo, durante o congresso A Promising Future Together, organizado pela National Down Syndrome Society, na cidade de Phoenix, nos Estados Unidos, em julho.
Com belas ilustrações de Ana Paula, Um Amigo Diferente? aborda de forma inédita diversas questões, desde o cacoete a situações mais sérias, entre elas, hemofilia, diabetes, artrite, doença renal e deficiências física, mental e sensorial. Autora de outros livros, Cláudia Werneck inovou, mais uma vez, ao tratar com delicadeza de assuntos, para muitos, considerados pesados.
Para conseguir este resultado, a jornalista criou um personagem imaginário, que é o próprio amigo diferente. E, para aguçar a curiosidade do leitor, seja criança ou adulto, o personagem vai dando pistas para que se descubra como ele é. A partir de uma série de indagações do personagem, o leitor entra numa grande aventura.
A cada página, sempre alegre e divertida, o amigo imaginário atiça a curiosidade de quem o acompanha, deixando o leitor bem à vontade em relação a quaisquer sentimentos que tiver. No livro, fica bem claro, por exemplo, que os pensamentos e os sentimentos são livres e que não faz mal achar graça do amigo que é fanho ou gago, nem ficar com pena do outro colega que tem tantas dores pelo corpo que é incapaz de andar de bicicleta ou de segurar bem um lápis, explica a autora.
Pesquisas Para escrever Um Amigo Diferente?, a jornalista pesquisou durante oito meses. Quando o livro estava pronto, Cláudia fez questão de submetê-lo à avaliação de grupos de portadores de vários tipos de doenças crônicas e deficiências, além de entidades, públicas e particulares, atuantes na área de educação, saúde e reabilitação de todo o Brasil. Em busca de uma aproximação cada vez maior com seus leitores, no final do livro, Cláudia pede que eles façam uma reflexão e que escrevam sobre as suas próprias dificuldades.
Para Cláudia Werneck, a literatura infantil é uma arma eficaz no combate ao preconceito contra quem nasceu ou ficou diferente depois, em consequência de acidente ou doença crônica, por exemplo. A jornalista escreve sobre temas relacionados à deficiência desde 1991.
Ela criou e dirige o projeto Muito Prazer, Eu Existo, que já recebeu cerca de três mil cartas das mais diversas regiões do País. O projeto visa reapresentar à sociedade a pessoa considerada diferente e, por ter um perfil jornalístico, atua de forma abrangente, levando informação atualizada a crianças e adultos.
Cláudia Werneck é autora do livro Muito Prazer, Eu Existo, já na quarta edição, e da coleção Meu Amigo Down, com 14 mil exemplares vendidos, todos lançados pela WVA. Com esta coleção, a jornalista criou o primeiro personagem com síndrome de Down na literatura infanto-juvenil brasileira.
Ao divulgar a coleção em diversas escolas do País, Cláudia Werneck percebeu o grande interesse das crianças por temas como doenças crônicas, síndromes genéticas, distúrbios neuropsicomotores e deficiência em geral: As crianças sempre queriam me contar quem tinha o quê de diferente na sua família. Um dizia que o irmão havia nascido com seis dedos. O outro, que sua avó fazia xixi pela barriga. As perguntas eram as mais variadas e complexas e eu não tinha como esclarecer tantas dúvidas.
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