O novo álbum de Jocelyn Eve Stocker, conhecida como Joss Stone, mais parece uma carta de alforria. ''Colour Me Free'' é quase um grito de independência e é nesse espírito que a jovem musa do soul desembarca mais uma vez em Curitiba.
Joss vem pra cá mais experiente. Aos 22 anos, a garota que cresceu ouvindo Aretha Franklin em Ashill, no condado de Devon, interior da Inglaterra, teve uma ascensão meteórica logo no início da carreira. Em seus três primeiros álbuns, acumulou quase oito milhões de discos vendidos, com quatro indicações para o Grammy Awards e três para o Brit Awards.
Ao mesmo tempo em que chegou ao sucesso ainda saindo da adolescência, também conheceu com mais intimidade os protocolos da indústria da música, que podem ter efeitos claustrofóbicos para artistas tão inquietos como Joss, cantora que sequer gosta de se apresentar com os pés calçados. Talvez a experiência com o ''sistema'' seja a razão dela ter amadurecido tão rápido e decidido seguir um caminho independente em sua própria carreira.
O resultado dessa fase mais madura é bem explícito em ''Colour Me Free''. A começar pelo título do disco, pela faixa de abertura, ''Free Me'', e pelo próprio processo de gravação: a composição do álbum aconteceu na casa noturna de sua mãe, ''Mama Stone's'', e todas as canções tiveram o dedo de Joss na produção, no acabamento.
''É muito, muito cru. Basicamente um grupo de músicos, compositores e eu só improvisando. O álbum não foi imposto ou forçado. Foi um processo orgânico em que cada músico teve a liberdade de criar seu próprio som. Foi uma representação honesta e exata de onde eu estou como artista e como pessoa exatamente agora'', diz Joss.
Joss deu liberdade aos músicos, especialmente aos convidados, que contribuíram para dar uma variedade vista com mais timidez nos discos anteriores. A cantora, claro, continua evocando com perfeição Aretha ou Janis Joplin, só que agora tem parcerias como a do veterano Jeff Beck (guitarrista que já tocou com Eric Clapton no Yardbirds) e de Sheila Escovedo (percussionista que trabalhou ao lado de Prince e Ringo Starr), na bluesy ''Parallel Lines''.
Além dos elementos de soul, em seu novo trabalho, Joss também flerta com o hip-hop, com o rapper Nas, em ''Governmentalist'', canção de certa forma engajada socialmente; aceita a presença do compositor Jamie Hartman (ex-parceiro de artistas como Emma Bunton e Natalie Imbruglia) e do baixista Raphael Saadiq (que também trabalhou com Prince e Sheila Escovedo). E chega a lembrar Diana Ross e Donna Summer, em momentos como ''I Believe it to my Soul'', com participação do saxofonista David Sanborn (seis vezes vencedor do Grammy).
Ela pode não vir do mesmo celeiro da cantoras soul norte-americanas, das belas negras que vêm de Memphis ou de Nova Orleans e saíram de um coral de igreja. É loirinha, toda delicada, já ensaiou a carreira de atriz no filme ''Eragon'' e até na série ''The Tudors''. E deve ser justamente por desafiar os paradigmas que Joss Stone faça tanto sucesso.
Ou ainda pela vontade de, com sua poderosa voz, construir uma identidade própria. Como faz questão de dizer na faixa final de ''Colour Me Free'', ''Girlfriend on Demand''. ''Give me one good reason/ I should sit around and wait/ If you control my destiny/ How can I trust fate?'' (Me dê uma boa razão/ Para eu me sentar e esperar/ Se você controla meu destino / Como posso confiar na sorte ?)

Serviço
- Show de Joss Stone
Quando - Amanhã, 21h
Onde - Teatro Positivo, em Curitiba
Quanto - plateia inferior a R$ 304 (meia a R$ 154) e R$ 244; plateia superior a R$ 254 (meia a R$ 129) e R$ 204.
Classificação etária - 16 anos
Mais informações - (41) 3315-0808 e pelo site www.diskingressos.com.br

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