Paulo BoniO HermitageÀs margens do rio Niva, o museu detém o maior acervo do planeta, com cerca de 3 milhões de obras de arteEm São Petersburgo, como não poderia deixar de ser, tudo remete ao Grande. Mesmo hoje, muitas noivas deixam seus buquês aos pés da estátua do imperador, de frente para a Catedral de Santo Isaac. O Almirantado, a Fortaleza de São Pedro e São Paulo e a Igreja de São Salvador em Sangue são locais obrigatórios de visita. Mas se tiver tempo apenas para um lugar, não tenha dúvidas: vá ao Hermitage.
O antigo Palácio de Inverno dos czares não se restringe a um único prédio. Abrigo do maior museu do mundo, reúne um complexo de palacetes, cinco edifícios interligados que formam a atração número um de São Petersburgo. Exemplar da arquitetura do século 18, é o conjunto mais bem-conservado da cidade.

Palácio de verão dos czares, em Peterhof: 150 salõesSem contar a beleza do prédio verde-claro com detalhes dourados, o Hermitage orgulha-se de abrigar o maior acervo do planeta. Cerca de 3 milhões de obras de arte, sendo a seção dedicada à Europa Ocidental a maior delas - obras de Rafel, Da Vinci, Rubens, Cézanne, Monet, Manet, Picasso, Van Gogh, Matisse, apenas para citar alguns. Só de impressionistas, o museu tem a maior coleção fora da França. Mas tudo o que pode ser visto no espaço cultural representa apenas 20% do total, devidamente distribuído em 1.150 salas.
Franciscano Logo na entrada, o visitante sente uma lufada de luxo no ar e aprende a primeira lição: no Hermitage, ao contrário do dito popular, tudo que reluz é ouro. E haja dourado. Perto do grande salão de acesso à residência da família imperial russa, palácios de Viena, Versailles, Madri e Londres adquirem um aspecto franciscano, tamanha a suntuosidade ostentada em São Petersburgo. Simplesmente é de perder o fôlego. Colunas, escadarias e estátuas de mármore de Carrara, estuques de gesso em alto-relevo, ouro na parede e no teto, além de lustres de bronze com mais de uma tonelada adornam o ambiente.

Vista dos jardins: suntuosidadeUma das salas mais bonitas, a de baile, é repleta de espelhos que multiplicam à exaustão as dezenas de luminárias de cristal e tem 1.111 m2 de glamour.
A partir de 1917, com a queda da nobreza, o palácio foi transformado em centro cultural; a partir de 1947, museu. Durante a 2ª Guerra Mundial, todo o acervo foi levado de São Petersburgo para a parte oriental da antiga União Soviética, nos Montes Urais, Sibéria, onde ficou a salvo dos inimigos. O palácio foi bombardeado várias vezes, mas graças a essa medida as obras de arte, grande parte adquirida por Catarina, a Grande (casada com o neto de Pedro I), foram preservadas. A Sala do Trono, com 800 m2, também é chamada de Sala de São Jorge, o padroeiro da Rússia.
Peterhof O grande destaque da região de São Petersburgo em termos de arquitetura e paisagismo é o Palácio de Verão, em Peterhof, a meia hora de barco pelo mar (a passagem custa 150 mil rublos).
Iniciado por Pedro e acabado por Elisabeth (ou Isabel), o palácio tem estilo barroco e 150 salões. A entrada principal fica de frente para o Golfo da Finlândia. Está aberto a visitas o ano inteiro, mas no inverno as esculturas são retiradas, para que o ouro que as reveste não sofra os efeitos de umidade e das intempéries. Apenas a maior delas esculturas, com três toneladas, não é retirada por motivos óbvios.
O palácio, que foi ocupado por nazistas, teve 60% de seu prédio destruído em sucessivos bombardeios. O que sobrou foi queimado, sob o torpe propósito de reduzir a cinzas a herança czarina. Só em 1945 foram iniciadas as obras de restauração. As esculturas originais que ornamentavam o jardim foram retiradas pelos inimigos e derretidas. Hoje, o que se vê são réplicas das primeiras.
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