Uma ilha de muitas preces
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domingo, 30 de agosto de 1998
Cleide Cavalcanti Agência Estado 
ReproduçãoReligiosidade
Templo de Ulun Danu, no Lago BratanA população tem como hábito saudar diariamente os deuses, e eles fazem isso rigorosamente nos 210 dias do ano (para eles, o ano tem uma contagem diferente da nossa). Preces matinais acontecem até mesmo nas plantações de arroz, durante o trabalho, para os espíritos protetores das colheitas. Os balineses também costumam fazer muitas oferendas, o que pode ser verificado logo na chegada no aeroporto e num passeio pelas ruas do centro. Cestinhas de palha com oferendas e incensos acesos no chão fazem parte da paisagem.
De manhã os moradores costumam agradar aos deuses colocando na porta de entrada das casas um prato com flores, incenso e arroz. É uma proteção para evitar a entrada de maus espíritos.
Na ilha há cerca de 22 mil templos, que mostram a forte influência da religião na cultura balinesa. O Pura Tanah Lot é considerado o mais bonito, e o que não pode deixar de ser visitado é o Pura Jagatnhatha (a palavra Pura precedendo um nome, indica um templo), construído inteiramente com peças de coral branco.
Um lugar curioso é o Tanah Lot, erguido numa ilha, que só pode ser atingida quando a maré baixa. O maior templo da ilha é o Pura Besakih, no sopé do vulcão Gunung Agung (o maior dos vulcões), cuja montanha é considerada sagrada. Pois, de acordo com os balineses, ali é a residência dos deuses. Lenda ou não, quando o vulcão entrou em erupção na década de 60 destruiu tudo menos o templo. Para os balineses, o mar é a casa dos demônios e espíritos maus, ao contrário das montanhas.
Nas montanhas, em locais que os religiosos denominam Tronos dos Deuses, pode-se observar uma infinidade de vulcões inativos bem de perto, como o Lomboks Rinjani, que já se tornou ponto turístico. Tem ainda o Batukau, a Batur e o Abang. O interessante é que a população não teme a possibilidade dos vulcões voltarem a entrar em atividade.
Muitos povoados foram formados na base de alguns deles, no meio de vales verdinhos e vegetação rasteira. Talvez a explicação para esta paz reinante na ilha seja dada por uma lenda muita antiga. Ela diz que certos lugares são guardados por leões alados, e que, por isso, ficam livres de maus espíritos. O leão com asas é um dos símbolos da ilha. E não é muito difícil acreditar nesta lenda, Bali é tranquilidade absoluta.
Os balineses adoram festivais (conhecidos como odalans). Existe até, acredite, festivais para celebrar a proximidade de outros festivais. O mais conhecido deles é o Galugan. Ele dura aproximadamente dez dias, período em que, segundo o hinduísmo, todos osdeuses descem à Terra, inclusive o próprio Sanghyang.
Para certos rituais sagrados, as mulheres arrumam cautelosamente numa espécie de taça grande vários tipos de alimentos, como frutas, doces e flores. Esses pratos chegam a ficar com aproximadamente 30 cm de altura. As mulheres seguem, num tipo de procissão, com as oferendas na cabeça até a porta dos templos. Lá, os deuses consomem a essência dos alimentos, que são levados de volta ao lar para que a família coma a comida, agora abençoada. Todos os festivais são ricos em cores e muito animados. Além, claro, do constante cheiro dos incensos.


