Tudo bem que a popularidade e o próprio núcleo do maior personagem do mestre dos quadrinhos Will Eisner foram manchados pela péssima adaptação de Spirit para as telonas, nas mãos de Frank Miller. Felizmente, Miller está fora da lista de autores que contribuíram para a releitura de Denny Colt para novos leitores. Essa homenagem, produzida em 1998, chega ao Brasil em uma única edição, pela Devir Livraria.
Spirit, muito lido a partir de sua criação, em 1940, logo em suas primeiras aventuras já exibiu o potencial de um jovem artista em ascensão. Eisner, inspirado pelo clima noir e as histórias policiais imortalizadas por Dick Tracy e antecessores, das tiras de jornais dos anos 30, revolucionou as páginas dominicais ao promover uma certa dose heróica ao personagem (misteriosamente imortal) e grande experimentalismo visual.
Com o tempo, Eisner foi deixando de lado seu interesse por Spirit para se dedicar às graphic novels e às possibilidades de narrativa que poderia desenvolver. No entanto, foi com Spirit que funcionou seu laboratório criativo, suas brincadeiras com diagramação, composição e design; sua habilidade de lidar com tempo e espaço na limitação dos jornais.
Já nos anos 90, o publisher Denis Kitchen, da americana Kitchen Sink Press, fã confesso do personagem, achava injusto os novos leitores admirarem Eisner mas não conhecerem exatamente porque é que Spirit foi e é tão importante para os quadrinhos. Assim, convenceu o artista a ceder sua criação para autores mais populares à atual geração.
Foram então convocados Alan Moore e Dave Gibbons (a dupla de ''Watchmen''), Neil Gaiman (''Sandman''), Mike Allred (''Madman''), Kurt Busiek (''Marvels''), Eddie Campbell (''Do Inferno''), David Lloyd (''V de Vingança''), Moebius (''Garagem Hermética''), entre outros. Todos liberados pelo próprio Eisner a dar sua contribuição ao personagem, sem ter que seguir exatamente o estilo original.
O resultado é uma miscelânea que, mesmo com o pedido de Eisner de não seguir seu estilo, acaba sendo um pouco retrô. A dinâmica e os temas foram atualizados, assim como o uso das cores. A histórias ampliam um pouco mais o universo de Spirit, porém, passam longe da sofisticação visual proposta pelo mestre dos quadrinhos.
Até há uma ou outra brincadeira que remete ao estilo original, como a brincadeira com os próprios créditos da aventura. Mas as aventuras clássicas ainda são bem superiores. A homenagem vale para introduzir o personagem a uma nova audiência, que, depois de seduzidas pelo material, deve mesmo é procurar as edições de Eisner.
A exemplo da estratégia utilizada no lançamento recente de ''O Agente Secreto X-9'', a Devir Livraria também optou por lançar ''The Spirit - As Novas Aventuras'' em duas versões, uma para colecionar e a outra para ler e manusear com mais frequência. Ambas têm 128 páginas coloridas, só que a primeira tem capa dura, no formato 21 x 28 cm, e a segunda é com capa mais fina, em brochura, no formato 20,5 x 27,5 cm.
Serviço - ''The Spirit - As Novas Aventuras'' tem 128 páginas coloridas, com a versão brochura a R$ 41 e a capa dura a R$ 53.

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