Uma história transcendental
A beleza da arte do Bon Odori é estampada numa lenda japonesa narrada no sutra Urabon-Kyô, uma coletânea de aforismos sobre o monge Mokuen, notável por uma visão transcendental. Ao se concentrar, ele tinha o poder de fazer o seu espírito viajar por mundos desconhecidos.
Pouco tempo depois que sua mãe faleceu, Mokuen usou os seus poderes para saber em qual plano astral ela estava.
Durante uma oração , ele pediu a Buda que aliviasse o sofrimento dela, que o aconselhou que no dia 15 de julho mantivesse os monges enclausurados no mosteiro para que não pisassem nos insetos e nas flores.
Mokuen ofereceu aos monges um banquete. No final do dia, a mãe do líder religioso apareceu tão leve, que chegava a flutuar. Já os monges estavam tão alegres de tanto comer e beber, começaram a dançar, dando origem ao Bon-Odori.
Em cada região do Japão existe uma superstição relacionada à dança. Alguns acreditam que depois de participar do Bon-Odori é preciso voltar o mais depressa possível para casa, não podendo, em hipótese alguma, olhar para trás porque os espíritos que foram enviados de volta ao seu mundo, através do Bon-Odori podem querer acompanhar o participante.
Um folclore com ensinamentos japoneses que até o cinema incorporou no filme
''A Viagem de Chihiro'' (Spirited Away, direção: Hayao Miyazaki, 2003) em que um dos personagens aconselha: ''Não vire para trás até sair do túnel, aconteça o que acontecer'', lembrando da antiga lenda de que não se deve virar para trás até que se tenha saído do túnel que faz voltar do mundo dos espíritos.(F.L.)





