Uma história que precisa ser contada
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de janeiro de 2009
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Com uma história rica porém pouco documentada, o teatro paranaense ganhou recentemente uma nova contribuição para a preservação de sua memória. No livro ''Cinco Biografias do Teatro Paranaense'', de Ivam Cabral e Marianne Cabral Baggio, os biografados narram a própria trajetória respondendo a uma entrevista. A publicação, que promete ser a primeira de uma série, traz como entrevistados César Almeida, Edson Bueno, Lala Schneider, Mário Bortolotto e Silvanah Santos.
''A única forma de respeitar é registrar. Há pouquíssimo material para consulta, para pesquisa sobre a história do teatro paranaense. É uma história que precisa ser contada'', justifica Ivam Cabral, um dos fundadores da Cia. de Teatro Os Satyros, que hoje tem sede em São Paulo. Cabral conta que sentiu a necessidade de documentar a memória do teatro feito no Paraná quando iniciou uma pesquisa para a publicação do livro ''Cartazes do Teatro Paranaense'' (1999). ''A partir de então fiquei obcecado por isso. O teatro paranaense tem uma história maravilhosa que se confunde com a história do teatro brasileiro. Foi precursor em muitas coisas'', ressalta o autor.
Em sua pesquisa, Cabral encontrou algumas raras iniciativas de resgate da memória do teatro local. Entre elas está a monografia ''O Teatro Curitibano no período de 1961 a 1970'', de Marta Moraes da Costa, publicada em 1996, na edição 45 da revista Letras. Marta também é a responsável pelo verbete ''Teatro São Teodoro'', do ''Dicionário Histórico-Biográfico do Estado do Paraná'', publicado de 1991, pela editora Livraria do Chain, em parceria com o antigo Banco do Estado do Paraná. ''Os primeiros teatros de Curitiba'', de Rodrigo Junior, publicação comemorativa do 250º aniversário de capital paranense, também serviu como fonte de pesquisa para Cabral.
O interesse por ampliar o registro dessa história levou Cabral e a Cia. Os Satyros a realizarem entrevistas gravadas em VHS com personalidades do teatro paranaense. São artistas como Edson e Delcy D'Ávila, destaques do circo-teatro dos anos 40. Da mesma época, Fausto Cascaes, um dos precursores do teatro itinerante no Estado. Também do teatro itinerante, donos de um ônibus que vira palco, estão Cláudio Iovanovitchi e Neiva Camargo. O ator Mário Schoermberger, falecido no ano passado, também está entre os entrevistados. Além da diretora Fátima Ortiz, do iluminador Beto Bruel e da atriz Odelair Rodrigues, esta da geração que iniciou carreira nas escolas de teatro, nos anos 50. ''Quando a Odelair Rodrigues morreu nós éramos os únicos que tínhamos imagens dela em arquivo'', lembra Cabral.
De acordo com Cabral, a publicação dessas histórias de vida e de palco são uma demonstração de respeito à memória. ''Pretendo um dia publicar tudo isso. É um sonho de vida. Este é só um primeiro volume. Imagino que tenha o número 2, o 3 , o 4. Tem muita gente legal, nomes que morrerão e que ninguém mais sabe quem são'', afirma. ''Esse material que a gente tem é único. Respeitando esse povo é que um dia a gente pode ser respeitado'', defende.


