Uma história musical
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sexta-feira, 08 de setembro de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Além de ter se tornado conhecida como uma das maiores exportadoras mundiais de café, Londrina também é destaque como um celeiro de renomados instrumentistas que têm levado o nome da cidade pelo mundo afora. Entre eles o compositor Arrigo Barnabé, um dos idealizadores da famosa Vanguarda Paulistana; o pianista Waldir Bertipaglia, radicado no Estados Unidos onde em 2010 foi indicado ao prêmio de melhor músico do mundo; e o também pianista Marco Antonio Almeida, referência internacional como professor catedrático da Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo, na Alemanha.
Em comum, esses grandes talentos compartilham a experiência de terem iniciado seus estudos musicais no Conservatório Musical de Londrina, o primeiro da cidade. Inaugurado em 1952, a instituição que já atendeu mais de 20 mil alunos está completando 65 anos de existência com uma série de atividades culturais (ver box). "A trajetória do CML é parte importante da história da nossa cidade e no incentivo do conhecimento e divulgação da arte musical, e caprichamos na programação para celebrar essa data tão especial", comenta a produtora cultural e musicista Hylea Ferraz, responsável pela coordenação geral dos eventos comemorativos, que também foi aluna do Conservatório.

Neste dia 9 de setembro, às 20 horas, no Teatro Crystal, será realizada a apresentação "Remember II", com a participação de alunos e professores. O programa - que traz músicas clássicas e populares abre com a participação das professoras Sandra Dellalo e Gislaine Mafra, responsáveis também pela direção musical, executando ao piano a quatro mãos a composição "Pétit Suíte" (C. Debussy). Dando continuidade à programação, destaque para a participação do aluno de nível avançado e professor Daniel Gouveia Pizaia, ao piano, apresentando "Impromptu op. 90 n.º 4" (F. Schubert).
Na segunda parte do programa, voltada à música popular, o destaque fica por conta da apresentação do Coral da OAB/PR-Londrina, coro misto com formação há quatro meses, que irá apresentar as canções "Correnteza" (Tom Jobim e Luiz Bonfá) e "Caçador de Mim" (Sá e Sérgio Magrão), sob a regência de Cleciane Pugsley. Outra novidade será a Camerata de Violões, formada por professores e alunos, que irá apresentar duas composições: "Bourrée Allegro" (Johann Krieger) e "Allegro" (G. P. Telemann).
A programação especial segue até o final do ano com mais duas apresentações musicais: no dia 8 de Outubro, às 17 horas, será apresentado o "Musical Infantil", com a participação de professores e alunos (de 8 meses a 7 anos), incluindo os bebês que integram o curso de musicalização. No dia 29 de Novembro, às 21 horas, a programação será encerrada com "Show CML Pop", dando destaque ao repertório de música popular nacional e internacional. As duas apresentações serão realizadas na Sede de Inverno do Londrina Country Club. Os eventos têm patrocínio cultural da Imobiliária Cruciol, da Construtora A. Yoshii e do Instituto Cultural.

Arte e ousadia
O Conservatório Musical de Londrina (CML) é fruto da ousadia de três professoras de música Betty Veiga, Maria Luiza Machado e Elza Pinho de Brito, que em 1952 tiveram a ideia de abrir a escola, inicialmente voltada à formação de piano. No ano seguinte, somava-se à equipe a pianista Ruth Lemos, aluna de Magdalena Tagliaferro, que veio de São Paulo trazendo uma série de inovações na área de educação musical, beneficiando toda a região Norte do Paraná.

Com dinamismo e liderança, Ruth foi precursora dos primeiros concertos de piano, harpa, oboé e acordeon na cidade. As artes cênicas também integravam a grade de cursos do Conservatório, outro exemplo do espírito criativo e ousado da pianista. Alguns professores destacaram-se nesta primeira fase do Conservatório como Evelina Grandis e seu grupo de acordeons; Maestro Andréa Nuzzi e Ermy DAprille no canto lírico e Clara Brilman, pioneira na produção cultural. (M.R.)

Alunos e suas trajetórias
Atualmente, o CML oferece 26 cursos, entre eles Piano Erudito e Popular, Técnica Vocal, Violão, Guitarra, Contrabaixo, Violino, Violoncelo, Flauta Doce e Transversal, Saxofone, Bateria, Preparatório para Vestibular, História da Música e as práticas: Camerata de Violões, Musicoterapia e Piano Jazz e Blues. Ao prezar por uma formação consistente desde o início das suas atividades, o Conservatório Musical de Londrina orgulha-se por ter participado da formação completa de mais de 100 professores, que posteriormente abriram suas escolas em diversas cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Daniel Pizaia é um deles. "Após quatro anos de dedicação ao curso de capacitação em piano, o jovem de 20 anos, começa a dar seus primeiros passos como docente do próprio CML. Várias pessoas me indicaram o curso do Conservatório Musical de Londrina pelo foco que os professores da instituição têm na questão da história da música. Após vários anos estudando no Conservatório e no curso de Licenciatura em Música de UEL (Universidade Estadual de Londrina) comecei a dar aulas de musicalização para crianças e pretendo me especializar nesta área", comenta.
Após 12 anos de estudos musicais no CML, Gildo Fujii conta que apesar de ter optado pela medicina ainda mantém a paixão pela música como sua segunda grande paixão na vida. "Fui aluno do Conservatório dos 6 aos 18 anos, período em que fiz os cursos de piano, musicalização e teoria musical. Ainda hoje toco e tenho em minha lembrança o ambiente sério e comprometido que é tão importante na formação musical de milhares de londrinenses", enfatiza o oftalmologista que matriculou as filhas Sofia, 7 anos, e Rafaela, 4, na instituição.
Já Maria Augusta Cordioli Michelato, atualmente com 11 anos, entrou para o conservatório antes mesmo de começar a andar. Incentivada pelo pai Denilson Michelato, músico autodidata que nos anos 1980 e 90 tocava nos barzinhos da cidade, a londrinense foi matriculada no curso de Musicalização para Bebês com apenas 9 meses de idade. Apaixonada pelo curso de piano há cinco anos, a menina fez com que a família derrubasse uma parede do banheiro de casa para dar espaço ao instrumento de que mais gosta. "Quando estou nervosa, toco piano e fico bem", resume a estudante de música que participará neste sábado do concerto em homenagem aos 65 anos do CML apresentando-se ao lado da professora Sandra Dellalo. (M.R.).


