Uma história de superação através da música
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Aos 54 anos a cantora sertaneja Romilda Simão Nogueira comemora a conquista de seu primeiro disco-solo, com 16 composições, sendo cinco inéditas, inclusive uma (''Laranja Madura'') que fez em parceria com o filho Reinaldo Junior, de 27 anos. Exemplo de superação, o repertório dançante e festivo de ''Berço de Ouro: Paraná dos Cafezais'' faz lembrar a toda momento a importância de transpor as dificuldades e ser feliz, mesmo quando se tem uma história de vida marcada pela dor.
A arte de cantar faz parte da sua vida desde os 9 anos, quando seu pai, que integrava uma dupla sertaneja, começou as primeiras lições musicais ao perceber a voz afinada da filha e o seu interesse pelo universo da música, sendo que também toca violão e guitarra. De origem humilde e a primogênita dentre dez filhos, Romilda conta que teve pouco tempo para se dedicar aos estudos - que foram só até a quarta série.
Para reforçar o orçamento da família, ela ajudava na lavoura, principalmente na colheita de café. Daí a escolha do seu nome artístico - Caturra -, que estampa orgulhosamente a capa do disco. ''O caturra foi um dos melhores cafés que o Paraná já produziu e achei a sonoridade do nome interessante para uma cantora sertaneja'', explica Romilda. Essa variedade de café é caracterizada pelo porte pequeno e alta produtividade.
Aos 21 anos, Romilda foi surpreendida pelo diagnóstico de artrite reumatóide em estado avançado, que afetou seriamente a sua perna esquerda. Desde então, ela já passou por nove cirurgias e passou a conviver com a dor e as limitações, como a impossibilidade de trabalhar e ficar muito tempo em pé.
''Foi muito difícil receber essa notícia sendo tão jovem. Sofria com o fato de não poder mais dançar, me apresentar em shows, mas nunca deixei de cantar. Graças a Deus a minha voz foi preservada e cantava mesmo quando estava acamada nos hospitais'', lembra.
Disposta a levar a sua vida adiante da maneira mais normal possível, no ano da sua última cirurgia, em 1981, se casou e logo engravidou. Em três anos, teve a segunda gravidez, sendo as duas gestações de risco. Depois de 13 anos de casamento, foi abandonada pelo marido e se viu diante do desafio de ter que garantir sozinha a própria sobrevivência e a dos dois filhos pequenos.
''Foi uma fase muito difícil e cheguei a me desesperar. Mas tive uma rede de apoio com vizinhos e amigos que me ajudaram muito. Comecei a vender roupas usadas doadas, costurava e até de faxineira trabalhei, apesar das dores horríveis que sentia'', relata.
Morando em casa própria, ela fala com admiração da perseverança dela e dos filhos para conquistar a própria autonomia. Mesmo com dificuldade, os dois filhos conseguiram estudar, sendo que recentemente a sua filha Luzia Aparecida, de 24 anos, se formou em Pedagogia.
A música continuou sempre presente nas diferentes fases da sua vida. Romilda fazia apresentações especiais esporádicas junto com duplas sertanejas, inclusive em programas de rádio e televisão da cidade e região. Há quatro anos integrou a dupla As Irmãs Monteiro, por dois anos, e um disco quase chegou a ser lançado.
Agora, depois de um ano e meio pagando com esforço as prestações para a produção do seu próprio CD, com tiragem de 400 unidades, Romilda comemora a realização de um sonho. ''A minha intenção é passar a mensagem que viver vale a pena. Sou uma pessoa com deficiente física, mas nem por isso desisti de lutar por aquilo que acredito e agir com honestidade e caráter'', destaca, reforçando a gratidão pelo apoio do produtor musical Mazurega, do Estúdio Mazu Music, e dos músicos que lhe acompanharam nesta empreitada musical.
O disco pode ser adquirido por R$ 10 aos domingos na feira livre da Av. Saul Elkind (Cinco Conjuntos) onde Romilda mantém uma barraca de roupas usadas ou pelo tel. (43) 3348-9333. Ela também faz participação especial em apresentações junto com Raul & Ramon Banda Show e em breve irá participar de um evento da Rádio Paiquerê e da Campanha da Bondade do Super Muffato da Saul Elkind.


