Em branco-e-preto, Angelo Caires viu os ''Olhos Azuis'' do cinema aos nove anos de idade. O primeiro filme que assistiu no Cine Monumento, no Ipiranga, em São Paulo, desencadeou uma paixão à primeira vista.
A história de Caires se parece com aquelas que só acontecem em Hollywood.
Ao ganhar o sorteio de um ingresso de cinema, o londrinense conheceu uma fantástica fábrica de sonhos. ''Para mim, o cinema foi a coisa mais diferente do mundo, como calçar sapato pela primeira vez. A gente levantava o pé lá em cima para andar'', lembra Caires.
Andando nas nuvens com a fascinação pela arte cinematográfica, Caires quis fazer o próprio filme. Irmãos, amigos e vizinhos entraram no sonho do londrinense e foram apresentados a Gregory Peck, Rita Hayworth e Humphrey Bogart, acreditando na proposta de também se tornaram astros de um filme rodado nos anos 60 no Parque Arthur Thomas. ''Os Bandoleiros'' nunca estreou. Os originais desapareceram.
As fotos das filmagens em preto-e-branco, em 36 milímetros, são a prova que o épico existiu. ''O cinema influenciou muito a nossa geração. Os filmes mostravam para nós um ideal do sujeito. Cheguei a montar o filme 'Os Bandoleiros'. Não conseguimos exibir porque não tínhamos dinheiro para isso. Tenho procurado muito os originais, mas sem sucesso'', comenta o cinéfilo.
Uma cena é a maior de todas nos 59 anos de idade do londrinense. O encontro com o astro do western Giuliano Gemma, que esteve em Londrina para lançar ''O Dólar Furado'', do diretor Giorgio Ferroni.
Gemma, Gregory Peck, Rita Hayworth e Humphrey Bogart permaneceram no coração do cinéfilo e ao longo dos anos se juntaram aos novos astros do cinema. Os clássicos e as mais recentes produções formam um acervo de 1.600 DVDs, que dividem espaço com cópias em VHS na casa do londrinense.
''Também guardo imagens históricas que gravei na Vila Brasil, como a despedida dos padres franciscanos da Paróquia Nossa Senhora Nossa Senhora das Graças, há 15 anos'', conta.
No sótão da casa, Caires montou o seu próprio Cine Monumento. Com um datashow, ele ainda leva o seu ''cinema'' até o público de Paiquerê e Guairacá, população rural que vive longe das salas de exibição, mas que tem a chance de conhecer também os ''olhos azuis'' do cinema: às vezes profundos, hipnotizadores e absolutamente sedutores.

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