A idéia que fundamenta o que se chama na história ocidental de Moderno, é a novidade. Desde seu princípio, com a queda de Constantinopla e a ascensão da burguesia, ela se estrutura como forma de manutenção do poder. O movimento modernista - enquanto movimento artístico e estético - propõe sempre a repetição do mesmo com uma capa de novidade sobre sua superfície em constante transformação.
Se, desde a Renascença, concepções como a de gênio artístico, originalidade, autoria e obras passam a ter valor como mercadoria, é porque o novo sistema vigente é quem diz o que é e o que não é arte, de acordo com as relações de mercado. Roubando uma frase citada, podemos dizer que ''se a arte é um fenômeno histórico, não há garantias de que ela seja eterna'', até porque essa concepção de arte a qual nos referimos é recentemente datada, levando-se em consideração toda a história da civilização.
Talvez tenha sido o Dadaísmo o primeiro movimento artístico a pregar a destruição da arte, negando uma cultura atravessada por explorações, guerras e destruições de toda ordem. O primado da representação, da novidade, o gosto pelo extravagante, pelo exótico, pelo admirável atingiu seu ápice na Europa do século 19, durante o Barroco, mas a idéia de arte como artifício continua existindo até hoje, mesmo que levando o rótulo de Arte Contemporânea. Mesmo que passado quase 100 anos após o Dadaísmo.
Pudera, vivemos hoje o capitalismo neoliberal globalizado em sua fase mais expansionista desde aqueles tempos em que se lutava contra o governo feudal. Só que o ponto mais culminante de algo, também aponta para o começo de sua queda, ensina a vida. O sol do meio-dia caminha para a noite escura, pois assim são os ciclos, onde tudo se modifica.
Isso significa que não só a arte, mas todas as formas de ação e pensamento social tendem a um estado de entropia no qual não teremos mais como referência as velhas bases sobre as quais se assentaram idéias e ideais de propriedade, mercadoria e por conseguinte, poder.
Particularmente, no que diz respeito à arte, a noção de obra, autoria, originalidade e até criatividade individual tendem a se perder e novas concepções surgem em seu lugar como fluxos contínuos de situações que já não dependem mais de instituições nos moldes das que hoje atuam como local de conservação de peças artísticas. E seu valor já não dependerá da criação de objetos transformados em mercadoria, para continuar existindo.
Portanto, todos as atividades humanas estarão em constante fluxo de intermediações, possibilitando que a história contada seja a própria história que está sendo feita. E, uma vez que o desenvolvimento dos meios de comunicação têm possibilitado que a informação veicule cada vez mais, com mais rapidez, atingindo todos os lugares do planeta, isto aponta também - ainda que não seja essa a intenção - para uma estrutura aberta e contínua, de mudanças de fato e não só em sua aparência superficial.

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