Curitiba Ao decidir entrar para o monastério, o aspirante a monge vê sua vida mudar radicalmente. A começar pelo seu nome de batismo. No mosteiro, ele recebe um novo nome, de acordo com seu padroeiro. Assim aconteceu com Lourenço Monteiro, de 39 anos. O sobrenome é o mesmo dos pais biológicos, mas Lourenço foi ''presente'' do abade, a autoridade máxima do local. ''Para mim, ele é o Cristo na Terra, o que ele falar, eu faço'', diz Lourenço. Ele aceitou conversar com a reportagem e contar como foi sua decisão de ingressar na vida religiosa.
Natural de Guarapuava, Lourenço teve sua primeira experiência com a religião quando estudou em um seminário, na década de 70. Mas no início da década de 80, quando obteve permissão para sair para fazer um tratamento nos olhos, não retornou mais. Começou a trabalhar com manutenção de peças automotivas e por quase 20 anos teve a ambição de ter um bom emprego e um bom salário. ''Nesse tempo, tive várias namoradas, uma vida normal, mas sempre achava que estava faltando alguma coisa'', revela.
Foi quando, influenciado por um amigo, decidiu conhecer o mosteiro. Foram três dias para se ambientar, depois uma semana. Em seguida, fez um ''teste'' de três meses e depois foi ficando. Já está no local há sete anos. ''A trajetória é parecida com um namoro'', compara.
Para Lourenço, a vida fora do mosteiro traz várias provações. ''Você está sempre tentando se realizar, seja profissionalmente ou num relacionamento. Aqui (no mosteiro) também. A diferença é que estou tentando me conhecer'', conta. Ele revela que durante as quase duas décadas que dividiram sua saída do seminário e sua entrada no mosteiro estava sempre insatisfeito, com um vazio que não encontrou nem na profissão e nem em uma relação amorosa. ''Eu tinha uma vida normal, mas lá no fundo estava incompleto''.
No mosteiro, ele consegue conciliar o que aprendeu fora da vida religiosa. Nos trabalhos, realiza a manutenção dos carros, mas também auxilia nos pequenos concertos elétricos e hidráulicos, na jardinagem e no que for preciso. Para ele, o trabalho dentro do mosteiro tem outro valor, espiritual e não o de receber algo em troca. ''Quando trabalhamos ficamos em silêncio, um silêncio que acalma e traz conhecimento''. Lourenço também integra as gravações do CD, algo que ele diz, que nunca imaginou fazer. ''Eu cantava em paróquias, mas nunca pensei em gravar um disco. Deus nos revela surpresas.''

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