Arquivo FolhaOlya Roohizadegan:‘‘ só vou me sentir livre quando todos puderem ter liberdade religiosa’’Perseguições, perdas de direitos, torturas e martírios, crueldades generalizadas em nome da religião. Cenas que foram vistas e vividas por milhares de judeus na Alemanha Nazista, durante a 2ª Guerra Mundial, se repetem ainda hoje, no Irã. Desta vez, quem sofre por ter uma religião diferente da ‘‘oficial’’ não são judeus mas integrantes da fé Baháí, que, por ironia, nasceu naquele país, em 1844.
Quem denuncia as atrocidades é Olya Roohizadegan, uma iraniana de 54 anos, que percorre o mundo fazendo palestras e conversando com autoridades sobre o que está acontecendo naquele país. Olya, autora do livro ‘‘A História de Olya’’ - que, há quatro anos, figura entre os 20 mais vendidos na Inglaterra -, esteve em Londrina esta semana, fazendo palestra pública. Olya escreveu sua história, cumprindo uma promessa que fez à amigas que foram mortas nesta perseguição religiosa. ‘‘Eu prometi que, se tivesse oportunidade, iria contar ao mundo a história do sacrifício e da coragem daquelas mulheres’’ - explica.
O livro relata fatos dramáticos acontecidos com a autora, que esteve detida, junto com dezenas de outras pessoas, durante dois meses numa prisão em Shiráz, Sul do Irã. Olya só foi solta quando o marido entregou todas as propriedades que o casal possuía ao Governo Revolucionário Islâmico, então comandado pelo ayiatolá Khomeini. ‘‘Me soltaram só para que pudessem me seguir e prender outros bahá’ís. Tanto que, logo depois, invadiram novamente minha casa para me prender. Eu, meu marido e meu filho (que na época só tinha três anos), conseguimos fugir porque uma vizinha, muçulmana, nos avisou’’ - conta. ‘‘Isto prova que o fanatismo não é própria da religião, mas das pessoas’’ - lamenta.
Você foi perseguida e presa só por causa da sua religião?

mockup