Arquivo FolhaTodo homem que tiver contato carnal com a mulher que ingeriu a poção morre sob efeito do venenoO que um homem apaixonado pode fazer para seduzir a mulher amada, que além de ignorá-lo solenemente, é casada e uma fidelíssima esposa? Com esse desafio nas mãos o dramaturgo Nicolo Maquiavel escreveu a comédia ‘‘A Mandrágora’’, em cartaz no Teatro Lala Schneider, aos sábados e domingos às 19h, com a Confraria Cênica.
Escrita há quase cinco séculos - em 1504 -, a peça foi ambientada em Florença, por cuidados quase excessivos do autor. Mesmo não tendo cores políticas, ainda assim Maquiavel achou por bem levá-la para outros domínios que não fossem dos Médicis.
PaixãoQuando retorna a Florença, depois de um longo período em Paris, Calímaco tem um pensamento fixo: o de conhecer a mulher que é considerada a mais bela do mundo. Lucrécia, o alvo de tanta expectativa, é casada com Nícia, velho e rico advogado, que a mantém sob estreita vigilância. Nem precisaria tanto empenho, porque ela lhe é de fidelidade absoluta.
A curiosidade de Calímaco transforma-se em irreprimível paixão, assim que a vê pela primeira vez. O jovem fica sabendo que o casal não tem filhos e que anseia por descobrir uma fórmula mágica para esse fim. Está aí um atalho que poderá levá-lo até a amada.
Com a ajuda de um amigo (Ligúrio) e de um padre sem escrúpulos (frei Timóteo), Calímaco fecha o cerco. Ele é apresentado por Ligúrio ao advogado como sendo um notório médico francês, descobridor de uma poção infalível para a fertilidade. A droga é extraída de uma raiz, a mandrágora.
À alegria do advogado sobrevém um aviso - é preciso tomar-se algumas precauções, pois todo homem que tiver contato carnal com a mulher que ingeriu a poção, num prazo de oito dias, morre sob efeito do veneno. A sugestão é entregar Lucrécia a um vagabundo, cuja vida não representa lá muita coisa.
Nícia concorda, mas e Lucrécia? A mãe, Sóstrata, persuadida por Ligúrio, e o padre Timóteo, confessor da honesta esposa, dão uma mãozinha para que tudo ocorra dentro dos conformes. Não há pecado algum nesse fugaz encontro. Quando o vagabundo finalmente apresenta-se a ela, acontece o inesperado: começa aí um caso de amor.
• A Mandrágora - de Nicolo Maquiavel. Com Marco Zenni, Rodrigo Virmond, Vanessa Simião, Rosângela Craveiro, Pierre Ruthes e participação especial de Luiz Henrique Fernandes. Sábados e domingos às 19h no Teatro Lala Schneider (Rua Treze de Maio, 629, tel. 225-2454). Ingressos: R$ 10,00, R$ 7,00 (bônus) e R$ 5,00 (estudantes e classe artística). Até dia 26 de outubro.

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