Curitiba - O que poucos sabem é que o cinema brasileiro é um dos mais antigos do mundo. Seu primeiro filme foi exibido apenas dois anos depois que, na França, os irmãos Lumière apresentaram um filme ao mundo pela primeira vez. O Brasil foi o primeiro país da América Latina que projetou um filme e o segundo, depois do México, a fazer uma filmagem.
''Então por que o país não criou uma indústria nesses 100 anos?'', questiona Cacá Diegues, respondendo logo em seguida: ''Porque o cinema do Brasil não teve uma história fluente a ser contada. O cinema viveu de ciclos, com picos eufóricos, que eram fechados de maneira drástica, brutal. No final de cada ciclo acabava toda a produção. Com isso, nunca se acumulou estrutura, dinheiro para haver uma indústria'', conta.
No primeiro ciclo, o País se destacou como um dos maiores produtores de filmes do mundo. Durou pouco mais da primeira década do século XX, até 1912 precisamente, quando a I Guerra Mundial prejudicou a compra de produtos importados. O segundo ciclo é caracterizado pela criação da indústria cinematográfica ''Vera Cruz'', em 1949. A empresa, que chegou a produzir um dos filmes brasileiros mais premiados, ''O Cangaceiro'', quebrou em 1954 por problemas de distribuição.
Em 1964, a ditadura militar acaba com o terceiro ciclo, do ''Cinema Novo''. ''A base do cinema novo era a realidade e com a ditadura a realidade acabou'', explica Diegues. O quarto ciclo vem com a criação da Embrafilme, no governo Geisel, mas a entidade perdeu sua função diante da abertura de mercado promovida pelo governo Collor, em 1990, incluindo o fim das leis de incentivo à cultura.
''A partir de 1994, com a Lei do Audiovisual começa um novo momento, mas não se sabe ainda se é um novo ciclo ou se está começando a fazer do cinema uma atividade permanente do Brasil'', diz o cineasta, que atribui esta vocação do brasileiro de começar do zero em cada novo ciclo à diversidade de cultura do País. ''Isto é estimulante para a produção''. (M.G.)

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