Uma grife chamada Aardman
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2000
De Londrina Especial para a Folha2 
Encerrando os anos 80 com o sucesso da A Pequena Sereia, o monopólio de Walt Disney no domínio da animação foi seriamente contestado. Diversos estúdios lançaram ambiciosos programas de desenvolvimento na área, mas acabaram com resultados discretos. A Warner e a Fox, com o fracasso de Titan, virtualmente interromperam toda a atividade no segmento.
Contra todas as expectativas, são dois emergentes que hoje oferecem a melhor e mais séria alternativa à estética Disney: Pixar( Toy Story 1 e 2) e Aardman os principais acionistas são ainda os próprios fundadores e donos, Steve Jobs, da primeira, e Nick e Park e Peter Lord da segunda. Essas duas companhias, que há dez anos nada representavam no universo da animação são, no território tecnológico, totalmente opostos. Aardman constitui uma espécie de animação low tech, em contraste com a animação high tech da Pixar, que é distribuída mundialmente pela Disney. Chiken Run, da Aardman foi co-produzido pela Pathé francesa e pela DreamWorks, o irmão inimigo da Disney.
Criada na Inglaterra em 1972, a surpreendente Aardman Animations é considerada a líder mundial em animação por modelagem também conhecida por stop motion animation, ou animação quadro a quadro. A criação mais famosa da grife é a dupla infernal Wallace e Gromit, o inventor excêntrico e seu cão pragmático. Depois de muitos curtas-metragens e de colecionar diversos prêmios (inclusive três Oscar), Nick Park, 47 anos, e Peter Lord, 42, tinham mesmo que passar ao longa-metragem. E acabaram assinando com Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, o que deu tranquilidade financeira para um projeto exaustivo que acabou tomando quatro anos de trabalho. A Aardman acaba de assinar com a DreamWorks um contrato de exclusividade para realizar quatro longas em 12 anos, entre eles A Lebre e a Tartaruga, adaptação da fábula de Esopo, e, óbvio, uma história com Wallace e Gromit.
Se há duas décadas a animação stop motion era com bonecos feitos com massinha de argila e uma espécie de plástico, hoje os heróis de Galinhas em Fuga são de silicone e látex. Ainda que a tecnologia seja agora influência mais próxima no desenho dos fundos tridimensionais e nos efeitos especiais, Park & Lord seguem fiéis às suas raízes e não se sentem atraídos pela animação gerada por computadores. Adoramos a saga de Toy Story, mas acreditamos na animação em que podemos moldar e sentir os personagens com nossas próprias mãos, disseram os dois em entrevista ao jornal inglês The Guardian.
O stop motion exige um minucioso e obsessivo trabalho em equipe. Como no cinema são 24 quadros por segundo, é necessário filmar 24 posições diferentes de cada um dos personagens para conseguir apenas um segundo de imagem.
Galinhas em Fuga já arrecadou mais de US$ 100 milhões nos Estados Unidos desde seu lançamento, em 25 de junho. Mas o restante dos países do Ocidente estão vendo o filme neste final de ano. Já há quem aposte em várias nominações para o Globo de Ouro e para o Oscar. (C.E.L.J.)


