Uma grande 'Tarantinada'
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Luiz Zanin Oricchio<BR>Agência Estado 
Em decisão bastante contestada, Somewhere, de Sofia Coppola, ganhou o Leão de Ouro do 67º Festival de Veneza. O anúncio foi feito pelo presidente do júri, Quentin Tarantino, sob vaias, na sala de imprensa, que assistia à cerimônia em circuito fechado. Sofia disse que se sentia emocionada e que já havia falado com o papai famoso, Francis Ford Coppola, que estava muito emocionado.
O filme de Sofia é ok. Em seu estilo rarefeito, traz um personagem meio sem rumo na vida que acaba repensando tudo ao tomar conta da filha durante alguns dias. Bom filme, mas, de fato, um Leão de Ouro parece excessivo. Ainda mais quando havia outras alternativas, talvez mais interessantes. O prêmio foi considerado uma ''tarantinada'' inequívoca, praticada sob a complacência dos outros membros do júri. Tarantino foi além: ainda emplacou um Leão de Ouro Especial pelo conjunto da obra para o cineasta Monte Hellman, que foi quem o lançou na carreira de cineasta.
O resto da premiação reflete o gosto estético do presidente do júri. O inventivo Balada Triste de Trompeta (Espanha) deu o prêmio de direção a Álex de la Iglesia, que ainda foi agraciado com o troféu de melhor roteiro, também escrito por ele. Feliz da vida, Álex disse que o cinema hoje é impuro, que trabalha com misturas e todos os diretores atuais são como aqueles garçons que fazem aperitivos - ''o segredo é misturar os bons ingredientes em doses certas'', disse.
Outro filme, Essential Killing, do polonês Jerzy Skolimowsky, venceu o prêmio Especial do Júri e também deu a Vincent Gallo o troféu de melhor ator. Já a melhor atriz foi Ariane Labed, por Attenberg, outra surpresa, pois se esperava Yahima Torres, por seu desempenho em Vênus Negra.
O favorito dos críticos, o russo Ovsyanki, teve de se contentar com a Osella de contribuição técnica (fotografia), para Mikhail Krishman. Outro bem cotado, Post Mortem, do chileno Pablo Larraín, foi completamente esquecido. Assim como outros bem votados pela crítica e pelo público, como o chinês La Fossé e o francês Vênus Negra.
Os quatro concorrentes italianos saíram de mãos abanando. Questionado sobre esse ponto, Tarantino disse que não iria comentar filmes que não foram contemplados: ''Não seria justo com eles nem com o júri'', disse, irritado. Para resumir: a atuação de Quentin Tarantino na presidência do júri foi o que dela se esperava. Um fiasco.


