Uma franquia superpoderosa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de julho de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Outros tempos, outras atrações, outros traços. Do Cartoon Network para a telona. Heroínas da geração pós-videogame, Florzinha, Lindinha e Docinho encarnam aventuras e emoções da garotada fim de século, concentrando características que variam entre habilidades de guerreiras, desenhistas e fluência em línguas como o chinês. Vivem em Townsville, num mundo onde seus préstimos são muito necessitados, já que a autoridade masculina está ausente. O Professor pode tê-las criado recheadas de poderes (com uma ajudazinha do acaso, ou do componente Chemical X), mas nem de longe é líder do trio: no máximo é uma espécie de mãe neurótica, nunca um pai decidido.
''As Meninas Superpoderosas'', em lançamento nacional e em cartaz em várias salas do Paraná, representam um amálgama de influências que vão da pop-art às peripécias ninjas. Na maioria pré-adolescente, o público cativo das meninas deve lotar os cinemas para referendar o fenômeno cult da série televisiva agora transformada em longa-metragem. O criador das personagens e aqui também diretor, Craig McCraken, e o diretor artístico Mike Moon conceberam o universo superpoderoso com traços geométricos planos. As garotas são círculos, o Professor é um conjunto de linhas angulares. Tudo é desenhado manualmente, mas realçado com traços gerados por computador. Como apelo visual, tudo está mantido como o modelo televisivo original.
Aos pais-acompanhantes, não habituados com a linguagem Cartoon, são oferecidas informações sobre as origens do trio justiceiro. E as crianças devem se divertir sem problemas nos dois primeiros terços do filme, bem no ritmo que todas conhecem. Mas próximo do final, algo parece não bater com o todo. Exiladas no espaço enquanto Townsville está entregue à macacada sob o comando do gênio do mal Mojo Tojo, as meninas decidem salvar o dia. É neste clímax que o filme descamba para as lesões corporais explícitas. Algumas das explosões e cenas de perseguições não comprometem, mas a imagem da chuva de partes de macacos durante a batalha final é pouco recomendável.


