ReproduçãoMatt Damon e Dani DeVito, em ‘‘O Homem que Fazia Chover’’É um John Grisham aceitável, mas um Francis Ford Coppola pouco satisfatório. ‘‘John Grisham - O Homem Que Fazia Chover’’, que estréia hoje no Brasil, pode ser melhor do que outras adaptações do escritor de best sellers, mas talvez seja o filme mais fraco do grande diretor. Coppola, capaz de arriscar tudo em projetos grandiosos como ‘‘Apocalypse Now’’ e ‘‘O Fundo do Coração’’ - para não falar na trilogia de ‘‘O Poderoso Chefão’’ -, desta vez aceitou trabalhar sob encomenda. Não foi a primeira vez em sua carreira.
Há o exemplo recente de ‘‘Drácula de Bram Stocker’’, que ele conseguiu transformar num projeto intenso e pessoal. Não é o caso de ‘‘John Grisham - O Homem Que Fazia Chover’’. O filme revela tão pouco da personalidade do autor que, durante boa parte do tempo, o cinéfilo pergunta-se o que motivou o cineasta a aceitar o contrato. Talvez seja uma frase do final, uma reflexão que o personagem de Matt Damon faz. Ele diz que chegou a um ponto de sua carreira em que só pode ir para baixo. É o que acontece aqui com Coppola.
Não é um filme e sim uma franquia cinematográfica, admite o diretor. Milhões de cópias do livro de Grisham foram vendidas em todo o mundo e agora o público vai ao cinema para assistir à mesma história. É uma história de tribunal, como outras do escritor. Rudy Baylor é o jovem advogado, um Davi que volta a se defrontar com Golias. Coppola diz que o livro mostra com perfeição a pressão dos mais ricos e poderosos, no topo da pirâmide social, contra os mais pobres, que são maioria, espremidos na base.
Rudy Baylor é Matt Damon, o ator mais quente de Hollywood no momento, duas vezes indicado para o Oscar - como melhor ator e melhor roteirista (em parceria com Ben Affleck), ambas por Gênio Indomável. Damon não está tão bem, ou é o personagem que não ajuda. Baylor é jovem e inexperiente. Associa-se a Deck Shifflet (Danny DeVito), que nem advogado é, num processo que envolve uma inescrupulosa companhia de seguros de saúde, que se recusou a pagar o tratamento para um rapaz portador de leucemia. Simultaneamente, Baylor envolve-se com Kelly Riker (Claire Danes), que vive apanhando do marido. Jon Voight, como o ardiloso advogado da seguradora, e Mickey Rourke (renascido das cinzas), são outros nomes do elenco.
Comentando a franquia, Coppola disse que gosta de fazer o último e melhor filme possível de cada gênero, seja de gângsteres, de guerra, terror ou tribunal. Em várias oportunidades, ele conseguiu. Não agora. ‘‘John Grisham - O Homem Que Fazia Chover’’ é o tipo do filme mediano que não se espera de um gênio da estatura de Coppola, a quem se devem tantas obras extraordinárias.

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