Uma festa para todos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de julho de 2013
Marcos Roman*<br>Reportagem Local 
Considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, Paraty abriga na primeira semana de julho histórias que vão muito além das memórias acumuladas em seus 346 anos de fundação. Escritores do quatros cantos do mundo se reúnem no pequeno e charmoso município do litoral fluminense para divulgar suas obras e compartilhar suas experiências com os leitores durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O evento chegou à sua 11ª com um público estimado em 25 mil pessoas que, entre os dias 3 e 7, transformaram a cidade na capital mundial da literatura.
O homenageado da Flip 2013 foi o escritor Graciliano Ramos, cuja morte está completando 60 anos. O autor ganhou uma exposição de suas obras marcadas pelo desejo de transformação social. A mostra montada na Casa de Cultura de Paraty foi promovida pela Casa Azul, entidade organizadora da festa, e pela Fundação Roberto Marinho.
Entre mesas de debates, encontros com autores, exposições de livros e contações de histórias, a Flip abriu espaço para outras artes, como o cinema e a música, e ofereceu atrações para públicos de todas as faixas etárias. Com capacidade para 850 pessoas, a Tenda dos Autores recebeu escritores, cineastas, quadrinistas, historiadores, jornalistas e artistas plásticos, que dividiram opiniões sobre diversos temas.
Na edição deste ano foram promovidos 25 debates que reuniram 40 convidados, entre brasileiros e estrangeiros. Discussões sobre culturas locais e globais, produções literárias, cinema e sobre as obras do pintor Picasso, do escritor Kafka e do poeta Baudelaire, além do homenageado Graciliano Ramos, estiveram entre os assuntos abordados por renomados escritores e pesquisadores.
A mesa de debate mais concorrida foi "Lendo Pessoa a Beira Mar", com a cantora Maria Bethânia e a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Cleonice Berardinelli, que aos 97 anos é considerada a maior especialista do mundo sobre a obra de Fernando Pessoa. Os ingressos para o evento que aconteceu na noite de sexta-feira se esgotaram dias antes da apresentação e a bancada de areia da praia localizada no centro de Paraty foi tomada pelo público que, em pé, se enfileirou para ouvir os poemas narrados pela intérprete baiana, que sempre uniu música e poesia em seus shows. Apaixonada pela obra do poeta português, após a leitura, Bethânia afirmou: "Fernando Pessoa é meu Red Bull. Me deixa alucinada".
As ondas de protestos que têm agitado o país também estiveram presentes na Flip como tema de três mesas extras montadas para o evento. Segundo Miguel Conde, curador desta edição da Flip, os debates sobre as manifestações enriqueceram a festa.
Orçada em R$ 8,6 milhões, a Flip é patrocinada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, Ministério da Cultura, Itaú Unibanco, BNDES, Eletrobras, Petrobras, Embratel e CPFL Energia. De acordo com os organizadores, a próxima edição do evento deve acontecer no mês de agosto de 2014 devido à Copa do Mundo.
* O jornalista viajou a Paraty a convite da organização da Flip
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