O dia de soprar as velas é na próxima terça-feira, mas as comemorações em torno dos 30 anos de fundação do Foto Clube de Londrina começam hoje, às 20 horas, com a abertura de uma exposição coletiva no Royal Plaza Shopping.
A programação se estende até o final do ano com mostras simultâneas no Pastel Mel, MacDonald’s e talvez Catuaí Shopping. O acervo é recente, dos dois últimos anos, não se atrelando à idéia de retrospectiva que costuma ocorrer durante celebrações.
Reúne 96 fotos, a maioria delas colorida e muitas selecionadas a partir de concursos internos feitos a cada dois meses. Os trabalhos incluem desde registros de paisagens e formas arquitetônicas a flagrantes de esportes radicais e exercícios com luz para obter imagens fantasmagóricas.
Hoje com cerca de 20 participantes (alguns flutuantes), o Foto Clube é um pálido retrato do prestígio estabelecido nos anos 70 e metade dos 80, quando conquistou sucessivos prêmios em salões nacionais. Na época, suas reuniões eram movimentadas. Discutia-se fotografia, projetavam-se slides, trocavam-se experiências, formava-se um acervo.
A fundação oficial ocorreu no dia 22 de maio de 1971. A Folha chegou a editar uma página semanal dedicada exclusivamente a mostrar a produção dos fotógrafos. Os próprios profissionais do jornal mantinham vínculos com o Foto Clube. Nomes como Darci Félix, Chico Rezende, Daniel Martignon, Régis Seben e Airton Procópio (‘‘Cachimbo’’) assinavam fotos-reportagens nos dias úteis, mas nos finais de semana dedicavam-se às experiências artísticas permitidas pelo ofício.
‘‘O Foto Clube é uma das poucas instituições de Londrina com essa longevidade’’ – afirma o advogado Antônio Ferreira dos Santos, que é o presidente e um dos fundadores da entidade. Ele conta que a idéia de criá-lo surgiu depois de um curso básico de fotografia realizado durante dois dias na Associação Médica. ‘‘A proposta era reunir pessoas que apreciavam a fotografia enquanto linguagem artística, e não apenas como registro documental de acontecimentos sociais’’ – conta.
Ele lembra que apesar da participação de gente do metiê entre os associados, a maioria era formada por diletantes, pessoas que atuavam em outras áreas profissionais e tinham a fotografia como hobby e paixão. Três décadas depois, os remanescentes da turma original continuam tentando manter a tradição clubística com as habituais reuniões aos sábados na velha sede, localizada ao lado da Funcart, às margens do lago Igapó 1.
A sede, originalmente uma fábrica de farinha, foi cedida a título provisório aos fotógrafos pelo então prefeito José Richa. Acabou virando aquisição definitiva. No ano passado, o barracão fez parte do Filo (Festival Internacional de Teatro de Londrina) abrigando um curso de fotografia. Se antigamente exigia-se o pagamento de uma taxa aos filiados, hoje basta aparecer aos encontros para fazer parte do clube.
O interesse é mínimo, talvez por desconhecimento e falta de informações sobre a entidade. Santos atribui a gradativa queda de candidatos em se associar, à correspondente diminuição de salões de fotografia pelo país. ‘‘Os salões serviam como estímulos para muitos de nós’’ – explica ele. ‘‘Antigamente eles eram bancados com dinheiro público, existiam verbas oficiais destinadas apenas para esse tipo de evento. Hoje em dia, com as prefeituras e governos falidos, isso se tornou inviável. Se antes havia salão quase todo mês, hoje são realizados, no máximo, três por ano’’.
Ele queixa-se também da falta de espaços em Londrina para montar exposições de fotografia. Lamenta, por exemplo, a recusa do Museu de Arte (instalado no prédio da antiga rodoviária) em abrigar mostras do gênero. O rosário de reclamações, contudo, será temporariamente arquivado. Pelo menos enquanto durar as exposições comemorativas.

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