UMA FESTA DE IMAGENS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de maio de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O dia de soprar as velas é na próxima terça-feira, mas as comemorações em torno dos 30 anos de fundação do Foto Clube de Londrina começam hoje, às 20 horas, com a abertura de uma exposição coletiva no Royal Plaza Shopping.
A programação se estende até o final do ano com mostras simultâneas no Pastel Mel, MacDonalds e talvez Catuaí Shopping. O acervo é recente, dos dois últimos anos, não se atrelando à idéia de retrospectiva que costuma ocorrer durante celebrações.
Reúne 96 fotos, a maioria delas colorida e muitas selecionadas a partir de concursos internos feitos a cada dois meses. Os trabalhos incluem desde registros de paisagens e formas arquitetônicas a flagrantes de esportes radicais e exercícios com luz para obter imagens fantasmagóricas.
Hoje com cerca de 20 participantes (alguns flutuantes), o Foto Clube é um pálido retrato do prestígio estabelecido nos anos 70 e metade dos 80, quando conquistou sucessivos prêmios em salões nacionais. Na época, suas reuniões eram movimentadas. Discutia-se fotografia, projetavam-se slides, trocavam-se experiências, formava-se um acervo.
A fundação oficial ocorreu no dia 22 de maio de 1971. A Folha chegou a editar uma página semanal dedicada exclusivamente a mostrar a produção dos fotógrafos. Os próprios profissionais do jornal mantinham vínculos com o Foto Clube. Nomes como Darci Félix, Chico Rezende, Daniel Martignon, Régis Seben e Airton Procópio (Cachimbo) assinavam fotos-reportagens nos dias úteis, mas nos finais de semana dedicavam-se às experiências artísticas permitidas pelo ofício.
O Foto Clube é uma das poucas instituições de Londrina com essa longevidade afirma o advogado Antônio Ferreira dos Santos, que é o presidente e um dos fundadores da entidade. Ele conta que a idéia de criá-lo surgiu depois de um curso básico de fotografia realizado durante dois dias na Associação Médica. A proposta era reunir pessoas que apreciavam a fotografia enquanto linguagem artística, e não apenas como registro documental de acontecimentos sociais conta.
Ele lembra que apesar da participação de gente do metiê entre os associados, a maioria era formada por diletantes, pessoas que atuavam em outras áreas profissionais e tinham a fotografia como hobby e paixão. Três décadas depois, os remanescentes da turma original continuam tentando manter a tradição clubística com as habituais reuniões aos sábados na velha sede, localizada ao lado da Funcart, às margens do lago Igapó 1.
A sede, originalmente uma fábrica de farinha, foi cedida a título provisório aos fotógrafos pelo então prefeito José Richa. Acabou virando aquisição definitiva. No ano passado, o barracão fez parte do Filo (Festival Internacional de Teatro de Londrina) abrigando um curso de fotografia. Se antigamente exigia-se o pagamento de uma taxa aos filiados, hoje basta aparecer aos encontros para fazer parte do clube.
O interesse é mínimo, talvez por desconhecimento e falta de informações sobre a entidade. Santos atribui a gradativa queda de candidatos em se associar, à correspondente diminuição de salões de fotografia pelo país. Os salões serviam como estímulos para muitos de nós explica ele. Antigamente eles eram bancados com dinheiro público, existiam verbas oficiais destinadas apenas para esse tipo de evento. Hoje em dia, com as prefeituras e governos falidos, isso se tornou inviável. Se antes havia salão quase todo mês, hoje são realizados, no máximo, três por ano.
Ele queixa-se também da falta de espaços em Londrina para montar exposições de fotografia. Lamenta, por exemplo, a recusa do Museu de Arte (instalado no prédio da antiga rodoviária) em abrigar mostras do gênero. O rosário de reclamações, contudo, será temporariamente arquivado. Pelo menos enquanto durar as exposições comemorativas.


