Em lançamento nacional (veja programação de cinema na página 2), ''As Crônicas de Spiderwick'' é um filme bonito e emocionante. E o melhor de tudo: pertence àquela categoria muito exclusiva dos relatos que não ofendem a inteligência do público a que se destina primordialmente, crianças a partir de certa idade - digamos, dez para cima, quem sabe até um pouco menos, mas não muito menos, porque os pequenos correm o risco de não compreender boa parte do que é visto e ouvido, e se perderão nos labirintos da fantasia.
Helen Grace (Mary-Louise Parker) e seus filhos, os gêmeos Simon e Jared (ambos interpretados por Freddy Highmore, garoto bom, mas já em processo de superexposição pelo cinema) e a filha Mallory (Sarah Bolger) se mudam para uma antiga casa da família, anteriormente habitada pelo excêntrico Arthur Spiderwick (David Strathairn). A mudança é um pouco brusca, mais para Jared, visivelmente irritado, até violento. Há um segredo, porém, que o menino desconhece. Ou melhor, muitos segredos, entre eles aquilo que a mansão tem a oferecer de diferente. Bem diferente.
A curiosidade e a desobediência levam Jared ao antigo local de experiências de Spiderwick, onde em outros tempos foram realizadas investigações sobre o mundo das fadas e dos duendes. Tudo ficou gravado num livro - os livros, sempre os livros - de conhecimentos extraordinários que, em mãos perigosas, poderia resultar em um desastre. E quem quer a obra a todo custo é um ogro malvado e poderoso, Mulgarath (voz de Nick Nolte na versão original), que até matará quem atravessar seu caminho. Jared acaba colocando toda a família em perigo, e antes que as coisas piorem de vez ele deverá resolver a enorme confusão em que se meteu.
''As Crônicas de Spiderwick'' têm a virtude de ser a um só tempo complexo mas simples: os personagens não são estereotipados, mas também nunca se faz um ensaio psicológico sobre eles. O universo de Spiderwick é bem construído, mas nunca se requer muita explicação para compreendê-lo. Além disso, a narrativa é sumamente direta, facilitando seu trânsito tanto entre pré-adolescentes como para os adultos.
A trama é envolvente, bem escrita e melhor ainda dirigida por Mark Waters. É cativante pelos elementos fantásticos, fascinante pela qualidade dos efeitos, mas principalmente intrigante pelo drama de Jared e suas consequências. Em resumo, uma boa história infantil de aventuras.

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