Na história que está escrevendo, José Hamilton Ribeiro coloca um pesquisador observando um comportamento diferente nas aves do ninhal e descobre que há uma mortandade de peixes no rio. Nesse momento, começa a fábula, onde os pássaros resolvem descobrir o que está matando os peixes e decidem não se acasalar, em protesto, no próximo ano. A greve reprodutiva é apenas o primeiro alerta: se por ventura a causa do problema não seja solucionada, as aves ameaçam mudar de País e construir seu ninhal no Paraguai, Bolívia ou, em último caso, nos Estados Unidos. ‘‘A fonte de poluição poderá ser fogo, veneno de alguma lavoura de algodão ou soja, depósito de vinhoto de usinas de álcool nas cabeceiras do rio, ou até sabotagem de alguma empresa que, para desmatar, produz um acidente químico’’, diz o escritor, que não antecipa o final.
Para José Hamilton, ‘‘o Brasil deveria tomar como exemplo o que aconteceu com os Everglades, ecossistema norte-americano semelhante ao Pantanal Mato-grossense, só que dez vezes menor’’. Lá, há 100 anos foi construído um canal para acabar com as inundações e fazer loteamentos nas terras secas. ‘‘Desapareceu a fauna, os canais ficaram vazios e a água do mar infiltrou no lençol freático, tornando salobras as águas das fazendas e a consumida na região de Miami. Agora, estão estudando como eram os rios para restabelecer o que era. Vão dinamitar os diques e gastar bilhões de dólares para consertar o erro’’.
Autor de um outro livro sobre a região (‘‘Pantanal, Amor Baguᒒ), que já está na 15ª edição, Ribeiro acredita que a construção de uma hidrovia no rio Paraguai terá o mesmo efeito sobre o Pantanal. ‘‘Querem aprofundar o canal e tirar as curvas do rio. Com isso, as águas rasas, que levam quatro meses para ir de Cuiabá a Corumbá, vão chegar em oito dias, sem parar nos criatórios de peixes. E sem peixes, não há pássaros’’.

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