Uma extravagante guerra visual
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Gilberto Smaniotto e Marinês Utteich De Nova York para a Folha2 
É hoje o tão esperado dia. Enquanto você está lendo o jornal aí no Brasil, milhares de diehard fans (fãs de carteirinha), estão assistindo à estréia do filme A Ameaça Fantasma, o primeiro de mais uma trilogia de Guerra nas Estrelas, que apareceu nas telas pela primeira vez 22 anos atrás.
Quem vai conseguir assistir ao filme nos próximos dias, pelo menos em Los Angeles e Nova York, ficou 17 dias numa fila esperando para comprar os ingressos que só começaram a ser vendidos dia 12.
Por causa da duração do filme - são 2h e 30 minutos - os mais de 3 mil cinemas americanos onde ele está sendo exibido só terão 6 sessões por dia. Até anteontem estava difícil reservar tickets por telefone e pela Internet.
A Ameaça só passa em 3 mil dos 34 mil cinemas americanos porque o diretor, produtor, e roteirista George Lucas só permitiu a sua exibição nas salas que cumprem rigorosamente as normas de qualidade em projeção e som. A produtora de Lucas exige ainda que os cinemas mantenham o filme em cartaz pelo menos 8 semanas independente do resultado de bilheteria.
A bomba da crítica especializada
A primeira onda de críticas ao filme Guerra nas Estrelas: Episódio 1, A Ameaça Fantasma foi negativa. Robert Hugher da Time Magazine, o mais respeitado crítico de cinema, jogou dezenas de mísseis contra a produção de US$ 115 milhões de George Lucas.
Foram gastos US$ 13 mil por segundo, e esse é o pior filme que eu já vi até hoje. A declaração não vai ser publicada na revista que o jornalista trabalha, mas foi parar numa página especial assinada por ele no jornal Daily News de domingo.
É unânime: o filme é grande demais, alguns personagens fazem excesso de gracinhas só para atingir o público infantil, e a animação digital considerada o inferno do cinema contemporêneo, também aparece em excesso.
Guerra de marketing
Depois de beber Pepsi com o rótulo de Star Wars nada melhor do que parar na famosa Fao da Quinta Avenida. Lá você vai subindo pela escada rolante cercada de produtos por todos os lados. A música tema do filme a todo volume.
No segundo andar da loja dobrando à direita vai cair direto numa sala quase escura. Num telão desfilam o mestre Jedi (Liam Neeson) e as outras centenas de personagens. Gente de todas as idades se espreme para ver detalhes e comprar um brinquedinho.
A criançada delira, os grandalhões se encantam. São 1.200 produtos licenciados, 140 novas criaturinhas nunca vistas nos outros filmes da série. Uma camisa para jogar futebol americano com a marca Star Wars custa US$ 65. Na sala personagens em tamanho natural são admirados pelos fãs boquiabertos. É um empurra empurra a la americana. Excuse-me pra lá e pra cá. Sorry, sorry, sorry but I want it now, gritava uma desesperada atrás de uma nave espacial.
A ameaça fantasma pode fracassar?
Fracassar? Seria muito azar. A ameaça de não superar as expectativas existe, mesmo com uma supercampanha publicitária. Lembram de Godzilla? Chegou destruindo tudo e acabou faturando menos de US$ 500 milhões. Esse sim foi fracasso.
O filme mais esperado de todos os tempos quer bater Titanic que embolsou US$ 1,8 bilhão pelo mundo fora, se tornando o mais visto do planeta. Quem não viu Titanic ainda?
Pra terminar
Chega de blablablá. Se você vai ver A Ameaça Fantasma, com Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman e o garoto Jake Lloyd, saiba que neste primeiro episódio da série os personagens ganham vida e são apenas apresentados ao público. É como se fosse o primeiro antes mesmo do primeiro da trilogia antiga. Entendeu? Você vai sair do cinema esperando os outros dois filmes que virão em 2002 e 2005. Aí a trama vai se desenrolar de vez.


