O alemão Augustin Joran, 41 anos, é artista plástico e faz pequenos quadros usando a pintura a dedo e pincel sobre o vidro. Ele está em Londrina há pouco mais de 30 dias, mas a vida de artista de rua começou muito tempo atrás. Nascido em Hamburgo, há 23 anos ele começou suas viagens pelo mundo nos cinco primeiros auxiliado pela família. ''Minha opção foi pela liberdade. O que eu faço é um incentivo para outras pessoas serem livres também não necessariamente na rua'', diz.
Nos últimos 16 anos, ele rodou pela América, vindo para o Brasil na metade desse período. Mas o artista já circulou por toda a Europa e parte da África e Índia. Apesar de estar sempre fixado nas paisagens que cria em seus quadros, Augustin Joran é um observador. Ele nota que nas ruas encontra muita gente ''perdida''. ''Acho que isso é um movimento que está acabando com a natureza do ser humano. Quanto mais o medo se espalha, mais vamos precisar de pessoas como nós, artistas. Somos o contrapeso na sociedade. Fazemos uma arte espontânea, pura, de coração'', analisa.
Para Augustin Joran, a cultura é algo esquecido hoje em dia. ''Muita gente trabalha para comprar água, comida. Cultura tem que ser diversão e exercício para a espiritualidade, para se achar graça na vida''.
Filho de um artista plástico, Augustin Joran teve oportunidades de fazer carreira na Alemanha, mas para ele esse não é o caminho. ''Artista de galeria tem pouco acesso ao público. A arte é um grande negócio quando o artista está morto. A maior parte dos artistas de rua faz seu trabalho por idealismo. Eu não quero o compromisso de esperar dois meses para fazer uma exposição. Quero um pouco a cada dia'', ressalta.
Acostumado a pintar em parques e ruas da Europa, o alemão revela que algumas coisas são mais fáceis no Brasil. ''Em Paris, os artistas do calçadão são atração turística. Mas na Europa o capitalismo é muito forte'', conta ele, que esteve em seu país de origem pela última vez em 1992. O Brasil tem sido uma ótima inspiração para Augustin. Ele adora o clima tropical e o considera mais propício do que o clima europeu. ''Lá é muito frio e isso faz com que os artistas de rua se concentrem mais em locais fechados, como estações de metrô''.
Trabalhar nas ruas tem suas vantagens e desvantagens. Para ele, a parte positiva é a liberdade. Em compensação, há desrespeito. ''As autoridades nos tratam com ignorância porque, para eles, estar na rua não vale'', diz. Quando chegou em Londrina, ele teve contratempos com a fiscalização municipal. ''Esse movimento vem junto com a globalização. É tanto respeito às instituições que ninguém mais quer ser livre'', alfineta.
O local de trabalho escolhido por Augustin em Londrina é o Calçadão, considerado por ele um ponto de encontro, onde pode ver pessoas e se divertir. Ele explica as diferenças entre o camelô, o artista de rua e o artesão. ''A arte é puramente criativa. Faço tudo na frente das pessoas. Não concorro com o comércio, não vendo coisas. Muita gente nos confunde com camelôs''.
Apesar de tudo, ele se diz ''agradavelmente surpreso'' com Londrina. ''O povo é muito amável. Responde muito mais a meu trabalho do que em outros lugares'', afirma.
E dá para viver como artista de rua? Ele diz que sim, mas com economia. ''Não bebo, só fumo tabaco e guardo meu dinheiro para as viagens e para viver. Mantenho certos hábitos, como cuidar da minha saúde e fazer exercícios, e tenho muita disciplina para guardar dinheiro e fazer o que quiser com ele''. Ele faz em média 20 quadrinhos por dia, que custam entre R$ 4 e 10. Nem sempre vende todos mas se sustenta com as pinturas.

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