Uma estrela no palco
A estrela que iluminou a noite de quinta-feira na Pedreira Paulo Leminski, na festa promovida pela Renault do Brasil, em Curitiba, foi a cantora Marisa Monte. Emocionada por se apresentar ao lado de Caetano Veloso, foi ela quem levantou a platéia. Instantes após ter sido ovacionada pelo público, deu entrevista exclusiva à Folha2.
Nesse momento Caetano encaminhava-se ao palco para apresentar o espetáculo Livro Aberto. Mais de uma hora depois, chamaria a cantora à cena, quando terminaram os acordes de Pra Ninguém:á
- Cantei esta música para reintroduzir a este palco Marisa Monte.
Faltavam oito minutos para 1 hora da manhã. Nos próximos 15 minutos apresentaram quatro canções: Cajuína, Lua, Lua, Lua, Lua, Canto do povo de um lugar e De Noite na Cama.
Na entrevista concedida à Folha2 Marisa Monte, ainda sob o eco dos aplausos de sua apresentação, comentou sobre a experiência de cantar com o autor de Leãozinho: O Caetano é referência básica na minha formação. Cresci ouvindo suas músicas, conheço todos os seus discos, mas nunca tinha trabalhado com ele. A gente se encontra por aí, há uma admiração e um carinho mútuos, mas nunca subimos juntos ao palco.
Como o show ainda estava por acontecer, Marisa Monte falou do ensaio que tinha ocorrido no dia anterior, e avançado pela madrugada. Foi maravilhoso. Ficamos até as quatro da manhã aqui, rolou uma cantoria com uma lua maravilhosa. O inédito encontro das duas vozes agradou sobremaneira a cantora: Ficou lindo.
Marisa disse que o lance mais incrível nesse primeiro encontro foi a sensação de intimidade dela com a música de Caetano. Isso aconteceu porque, por toda vida, teve contato com a obra do baiano. Para mim é um presente, uma honra estar aqui cantando com ele. São aquelas coisas que a gente nem imagina que podem acontecer.
A experiência curitibana poderia se repetir em outros palcos? É claro que sim, respondeu Marisa, e não só junto aos microfones, mas também na composição. Eu, pelo menos da minha parte, aceitaria, frisou. A partir desta, tudo pode acontecer.
O show na pedreira provavelmente foi o último de Marisa Mote neste ano. Agora ela entra em recesso para pensar no seu próximo CD, que será gravado em maio de 99. Para ela disco é uma obra aberta. Até a masterização, ou melhor, até ser impressa a capa, tudo pode mudar. Tenho idéias sobre ele, mas ainda nada de concreto, nada que possa te dizer, que seja uma informação segura, publicável.
Desde seu último show e as temporadas Brasil afora, a artista recolheu-se - em termos - para estudar violão e compor. Esse tempo todo compus muito sozinha e fiz muita música com Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Moraes Moreira, com outros parceiros, relatou.
Este ano foi marcado especialmente pelos projetos especiais do tipo show com Carlinhos Brown, com os Titãs, Os Novos Baianos, gravação com os Paralamas, Carnaval na Bahia. Fiz show com Cesaria Evora no Brasil, em Portugal; fiz uma turnê grande pela Europa, e agora nos Estados Unidos. Mas o maior trabalhão do ano foi fazer o disco do Carlinhos (Brown), que ficou lindo, maravilhoso, enumerou.
Quer dizer que a vida está cada vez melhor? A minha vida é boa, não tenho do que reclamar, afirma. Não é nem que tá boa, ela é assim porque eu procuro cuidar dela para ela cuidar de mim. Esse é um dos segredos para se subir ao palco:
- Você tem que estar numa boa para passar isso às pessoas, senão não dá para fazer os outros felizes.Leandro TaquesMarisa Monte durante o show: ela mantém o carisma e o suingue que a transformaram numa das melhores intérpretes do BrasilZeca Corrêa Leite





