Arquivo FolhaMaurice Bejart: estréia mundial de ‘‘Barroco Bel Canto’’, em São PauloNo ano em que completa seu 70º aniversário, o coreógrafo Maurice Béjart brinda o público com dois novos espetáculos - ‘‘Le Presbytire na rien perdu de son charme, ni le jardin de son éclat’’, que estreou no dia 16 de janeiro em Paris e passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte, no próximo mês; e ‘‘Barroco Bel Canto’’, com estréia mundial no dia 8 de abril, em São Paulo.
‘‘Tive o enorme prazer de presenciar a estréia do ‘Le Presbytire’, que teve platéia lotada e foi um total sucesso de crítica’’, relata Miriam Dauelsberg, diretora da produtora carioca Dell’ Arte responsável pela turnê brasileira. ‘‘Aliás, os ingressos em São Paulo e no Rio estão quase esgotados e estou tentando agendar mais duas apresentações extras’’, adianta.
Segundo informações da produção, a coreografia ‘‘Barroco Bel Canto’’ foi elaborada especialmente para esta turnê, com figurinos do estilista italiano Gianni Versace, é ambientado no século 18. as atenção na hora de comprar seu ingresso: na turnê brasileira o Béjart Ballet Lausanne, apresentará três programas distintos.
‘‘Além das coreografias novas, que refletem a terceira fase do artista, serão encenadas também: L’art du Pas de Deux e O Pássaro de Fogo; e no outro: O Mandarim Maravilhoso e Mallarmé III, que enfocam as duas primeiras fases de Béjart’’- conta Miriam, que recomenda assistir aos três programas. ‘‘Eles formam um panorama brilhante das três fases do coreógrafo’’.
Extremamente iluminadoNo novo espetáculo, ‘‘Le Presbytire’’, Miriam ressalta o efeito das luzes. ‘‘É um espetáculo extremamente iluminado, com muito branco. E para que o espetáculo brasileiro seja perfeito vamos trazer todos os equipamentos de iluminação da França, e isso está dando muito trabalho’’. Quanto à história, ‘‘Le Presbytire’’ é uma homenagem póstuma de Béjart ao seu bailarino e amigo Jorge Donn e ao cantor Freddie Mercury. Ambos foram vítimas da Aids e morreram aos 45 anos.
Segundo o próprio Béjart, apesar da temática, este é um balé alegre, nem sinistro e nem derrotista. ‘‘Não quis dar um caráter trágico a esta obra, mas enfatizar a falta de lógica do destino’’, conta. ‘‘Me inspirei em Mercury e Donn, mas não é um balé sobre Aids, mas sobre aqueles que morrem jovens’’, completa. Na opinião de Miriam o melhor deste novo espetáculo é o final. ‘‘Usando uma linguagem absoluta, ele consegue passar sua mensagem de uma forma simples, sem sentimentalismos, mas com muita dignidade e beleza estética’’.
Artista múltiploMaurice Béjart é filho do filósofo Gaston Berger e nasceu no dia 1º de janeiro de 1927, na cidade francesa de Marselha. Já aos 20 anos, ele criou sua primeira coreografia - Vichy. Nos anos 50, influenciado pelo expressionismo e por Stravinki, criou o balé Pássaro de Fogo. No final dos anos 50, começou a ser considerado um coreógrafo de vanguarda pela crítica.
Foi exatamente em 1959, que fundou a revolucionária e perturbadora companhia Balé do Século XX. Dois anos depois, a coreografia ‘‘Bolero’’ foi sucesso em todo mundo. Nos anos 70, criou as escolas de dança Mudra em Bruxelas e Dakar, e a escola- atelier Rudra, em Lausanne.
Maurice Béjart, além de coreógrafo, é escritor, diretor de cinema, ópera e teatro. E com seu trabalho vem recebendo vários prêmios, entre eles destacamos a ‘‘Ordem do Sol Nascente’’ (1986) e o Prêmio Imperial (1993), da Associação de Arte do Japão, que é entregue anualmente a apenas cinco artistas em todo o mundo.

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