Uma estrela de primeira grandeza
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de março de 1997
Sílvia Herrera Agência Estado 
Arquivo FolhaMaurice Bejart: estréia mundial de Barroco Bel Canto, em São PauloNo ano em que completa seu 70º aniversário, o coreógrafo Maurice Béjart brinda o público com dois novos espetáculos - Le Presbytire na rien perdu de son charme, ni le jardin de son éclat, que estreou no dia 16 de janeiro em Paris e passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte, no próximo mês; e Barroco Bel Canto, com estréia mundial no dia 8 de abril, em São Paulo.
Tive o enorme prazer de presenciar a estréia do Le Presbytire, que teve platéia lotada e foi um total sucesso de crítica, relata Miriam Dauelsberg, diretora da produtora carioca Dell Arte responsável pela turnê brasileira. Aliás, os ingressos em São Paulo e no Rio estão quase esgotados e estou tentando agendar mais duas apresentações extras, adianta.
Segundo informações da produção, a coreografia Barroco Bel Canto foi elaborada especialmente para esta turnê, com figurinos do estilista italiano Gianni Versace, é ambientado no século 18. as atenção na hora de comprar seu ingresso: na turnê brasileira o Béjart Ballet Lausanne, apresentará três programas distintos.
Além das coreografias novas, que refletem a terceira fase do artista, serão encenadas também: Lart du Pas de Deux e O Pássaro de Fogo; e no outro: O Mandarim Maravilhoso e Mallarmé III, que enfocam as duas primeiras fases de Béjart- conta Miriam, que recomenda assistir aos três programas. Eles formam um panorama brilhante das três fases do coreógrafo.
Extremamente iluminadoNo novo espetáculo, Le Presbytire, Miriam ressalta o efeito das luzes. É um espetáculo extremamente iluminado, com muito branco. E para que o espetáculo brasileiro seja perfeito vamos trazer todos os equipamentos de iluminação da França, e isso está dando muito trabalho. Quanto à história, Le Presbytire é uma homenagem póstuma de Béjart ao seu bailarino e amigo Jorge Donn e ao cantor Freddie Mercury. Ambos foram vítimas da Aids e morreram aos 45 anos.
Segundo o próprio Béjart, apesar da temática, este é um balé alegre, nem sinistro e nem derrotista. Não quis dar um caráter trágico a esta obra, mas enfatizar a falta de lógica do destino, conta. Me inspirei em Mercury e Donn, mas não é um balé sobre Aids, mas sobre aqueles que morrem jovens, completa. Na opinião de Miriam o melhor deste novo espetáculo é o final. Usando uma linguagem absoluta, ele consegue passar sua mensagem de uma forma simples, sem sentimentalismos, mas com muita dignidade e beleza estética.
Artista múltiploMaurice Béjart é filho do filósofo Gaston Berger e nasceu no dia 1º de janeiro de 1927, na cidade francesa de Marselha. Já aos 20 anos, ele criou sua primeira coreografia - Vichy. Nos anos 50, influenciado pelo expressionismo e por Stravinki, criou o balé Pássaro de Fogo. No final dos anos 50, começou a ser considerado um coreógrafo de vanguarda pela crítica.
Foi exatamente em 1959, que fundou a revolucionária e perturbadora companhia Balé do Século XX. Dois anos depois, a coreografia Bolero foi sucesso em todo mundo. Nos anos 70, criou as escolas de dança Mudra em Bruxelas e Dakar, e a escola- atelier Rudra, em Lausanne.
Maurice Béjart, além de coreógrafo, é escritor, diretor de cinema, ópera e teatro. E com seu trabalho vem recebendo vários prêmios, entre eles destacamos a Ordem do Sol Nascente (1986) e o Prêmio Imperial (1993), da Associação de Arte do Japão, que é entregue anualmente a apenas cinco artistas em todo o mundo.


