A passagem bíblica de Davi e Golias foi fonte de inspiração para que o diretor Maurício Vogue criasse ‘‘O Menino Rei’’, único espetáculo local escalado para a mostra infantil do 10º Festival de Teatro de Curitiba, que acontecerá de 22 de março a 1º de abril. Ao todo, a mostra contará com cinco montagens, mas apenas a paranaense estará estreando.
Maurício Vogue esclarece que, ao contrário do que possa parecer, o espetáculo não é religioso. ‘‘Eu sou uma pessoa muito religiosa, mas a peça refere-se apenas à espiritualidade e ao resgate dos valores’’, afirma. ‘‘Deus não é citado em nenhum momento, mas ele está presente no espetáculo, dependendo da interpretação de cada um’’.
Na montagem, o lendário personagem Davi se transformou num menino qualquer, de sentimentos puros e ingênuos. Para enfrentar o temido gigante Golias, representado na peça através de sentimentos como o medo e a insegurança, ele utiliza apenas o amor.
A forte analogia da passagem bíblica com a realidade infantil atual não aparece casualmente em ‘‘O Menino Rei’’. Com a ajuda de uma pedagoga, que norteou todo o trabalho de criação e concepção, o diretor abordou sutilmente questões que o preocupam atualmente. ‘‘Percebo, por exemplo, que as crianças não têm mais limites para nada, seja na família, escola ou televisão’’, comenta.
A companhia Regina Vogue Produções está se dedicando em tempo integral desde o início de janeiro a este projeto. ‘‘Começamos do zero, o mérito é de toda a equipe’’, elogia o diretor.
Ele se refere ao elenco formado por Maureen Miranda, Richard Rebelo, Fernanda Stica, Laércio Perle, Janaina Spoladore e Adriano Peterman. A equipe é formada ainda por Letícia Guimarães, na assistência de direção; Nadia Naira, na iluminação; César Sarti, na sonoplastia; e Eduardo Giacomini, na cenografia, figurinos e adereços. As músicas são de Alexandre Nero e os arranjos de Gilson Fukushima.
‘‘Não será um mega-espetáculo, grandioso como outros que já fiz’’, diz o diretor. ‘‘O trabalho do ator será mais importante que o cenário ou as luzes. Eles serão os grandes responsáveis por expressar as sensações’’. Ao lado da interpretação, outro fator de peso no espetáculo serão os figurinos, totalmente inspirados nos desenhos japoneses Mangá.
Assim como um super-herói, no palco, o pequeno Davi enfrentará o seu Golias com a meta de tornar-se rei de um mundo fantástico e imaginário onde as prioridades são o respeito, a pureza, o humor, a harmonia, a coragem e o amor.
Embora os sentimentos e as ações dos personagens sejam extremamente humanizados, as formas que adquirem no palco lembram mais as encontradas nos desenhos animados, criando assim um universo imaginário que navega numa linguagem cênica ágil e moderna. No espetáculo, recomendado para crianças e adultos, a ação muitas vezes substitui o próprio texto, que é usado de forma sintética e poética.
Consciente e responsável, Vogue já tem larga experiência em teatro infantil. ‘‘Eu hoje me sinto mais arte-educador do que diretor de teatro’’, resume ele. Na mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba, por exemplo, esta é a sua terceira participação. Em 1998, ele apresentou o espetáculo ‘‘Seroc’’ e no ano seguinte ‘‘A Professora Maluquinha’’.

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