Uma comédia agridoce, que transita entre situações bizarras e sentimentos reais, o filme ''O Gerente de Recursos Humanos'' - estreia desta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - é um belo e intrigante filme israelense, que ganha contornos de uma road-movie de moral familiar; onde uma jornada muda para sempre a vida dos seus participantes.
No começo do longa, somos apresentados ao protagonista sem nome (Mark Ivanir); um workaholic que trabalha no RH de uma famosa fábrica de pães em Jerusalém. Os problemas do personagem começam quando ele descobre que, devido a um erro burocrático, uma ex-empregada da empresa ainda está na lista de pagamentos. Isto não seria nada demais, se ela não tivesse morrido recentemente em um atentado terrorista e, sem família, seu corpo fosse tratado como se fosse de uma indigente. Após uma denúncia feita por um inescrupuloso - e irritantemente chato - jornalista (Guri Alfi), o caso vira uma ''denúncia bombástica'' de abuso contra funcionários e, para evitar um escândalo maior, o Gerente precisa buscar identificação de um dos familiares da mulher, para enterrá-la apropriadamente: a parte problemática é que todos os parentes da imigrante moram em um país decadente do Leste Europeu (que também nunca é identificado).
Embarcando em uma longa viagem de van para o interior remoto desse desconhecido país gelado, a narrativa do filme se desenvolve de maneira peculiar; com um roteiro envolto pela temática da morte, apenas a mulher no caixão - chamada de Yulia Petracken - é identificada pelo nome, e todos os outros personagens são taxados por algum estereótipo: entre eles, o filho problemático (Noah Silver), o russo bêbado e a chefe exigente (Retymond Amselem). Durante uma longa e bizarra jornada, os integrantes da comitiva vão desenvolvendo camadas mais profundas, e acompanhamos a construção dos personagens para além de sentimentos e atitudes unidimensionais.
Passando por entre montanhas e paisagens geladas, a estranha aventura do grupo conta com problemas com a polícia local, uma estadia inesperada em um bunker militar desativado e diversos conflitos temperamentais; como um ''Pequena Miss Sunshine'' contado em um tom mais acinzentado, os quatro integrantes da velha kombi - isolada do mundo - parecem se redescobrir em meio à solidão social. No final do filme, uma decisão do protagonista o faz vislumbrar sua própria humanidade, e transpassar a impessoalidade burocrática exigida pela sua enfadonha vida cotidiana. Apesar de alguns buracos no meio do caminho, vale a pena embarcar nessa viagem.

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