Em um pedaço do paraíso existe uma escola. Ela é cercada por montanhas com topos cobertos de neve, ar puro, vegetação abundante e flores coloridas. É nesse cenário a quase 1.300 metros de altitude que se localiza um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino de hotelaria do mundo, a Les Roches School of Hotel Management.
A escola fica no tranquilo vilarejo de Bluche (sul da Suíça), que tem apenas 400 habitantes. Entretanto, a menos de 15 minutos dali situa-se um dos destinos de inverno mais badalados da Europa: Crans-Montana, com estações de esqui e campos de golfe.
Inaugurada em 1954 como um instituto internacional para jovens estudantes, a Les Roches foi se aperfeiçoando ao longo dos anos. Na década de 80, passou a ser administrada pela Swiss Hotel Association Hotel Management, entidade que existe desde 1892. Hoje, tem cerca de 1.300 alunos de 60 países. Estão representados todos os continentes. Do Brasil, são 68 estudantes o maior grupo da América do Sul.
Nos intervalos, nos corredores e nas mesas durante as refeições é possível se ouvir mandarim, árabe, japonês, português e idiomas que não dá nem para identificar rapidamente. ''Esse convívio entre as culturas é fundamental porque os alunos aprendem a respeitar as diferenças'', argumentou Ron Carpenter, diretor de Estudantes. ''É um aprendizado importante porque quem trabalha com turismo tem de estar preparado para as diferenças culturais'', ressaltou o chinês Phillip Ping'An Zhan, da gerência de Marketing, ex-aluno da escola.
O curso técnico em hotelaria dura três anos. O quarto é opcional. Mas se os estudantes brasileiros cursarem o último ano que é de bacharelado , o diploma é reconhecido no Brasil como formação superior em Business. Nesse caso, o campo de atuação profissional se torna ainda mais amplo. ''Nós formamos os estudantes para serem os tops em suas áreas'', disse o diretor-geral da Les Roches, o suíço Jean-Claude Bailly.
Estuda-se período integral são quase nove horas de aulas diárias em grupos que não ultrapassam 15 alunos. A língua oficial é o inglês, mas os estudantes têm entre as disciplinas francês ou alemão. O primeiro ano e o segundo são chamados de operacionais, ou seja, aprende-se todos os serviços práticos da profissão. Intercalam-se semanas teóricas e práticas.
Dentro dessa proposta, a escola funciona como um hotel cinco-estrelas. Os alunos colocam literalmente a mão na massa, na louça e em muitas outras atividades. Orientados pelos professores, são os estudantes que põem em funcionamento a estrutura hoteleira da escola.
As refeições diárias, servidas nos dois restaurantes do colégio, são preparadas pelos próprios alunos. Eles realizam todas as etapas: preparam os alimentos, cozinham, arrumam as mesas e elaboram os cardápios e as cartas de vinhos.
Os alunos também servem os colegas como se estivessem em um hotel de alto padrão. Usam uniformes e têm posturas impecáveis. ''Adoro esse lado prático que nos permite conhecer a profissão que escolhemos'', afirmou a paulistana Tatiana Sant'Anna, de 18 anos, que está no primeiro ano.
Mas essa é só uma face da parte prática. Já no segundo semestre do primeiro ano, os estudantes realizam estágios supervisionados. Os treinamentos, que duram entre quatro e cinco meses, podem ser feitos em qualquer lugar do mundo de parque de diversões a restaurante, hotel ou estação de esqui.
A área de estágio e o local são escolhidos pelos aluno e aprovados pelo departamento de estágios, que mostra as possibilidades existentes junto às redes conveniadas.
O treinamento pode ser feito inclusive no país de origem do estudante. Entretanto, eles têm suas preferências. A própria Suíça é um dos destinos preferidos, já que a remuneração é uma das melhores entre as nações européias. O estagiário recebe em torno de US$ 900 ao mês, livre de despesas.
No terceiro ano de curso não existem aulas práticas. São cerca de 14 disciplinas teóricas como finanças, administração e recursos humanos. Os estudantes também desenvolvem projetos nas áreas que mais se identificam ou querem ampliar conhecimentos. ''É muito interessante porque como já aprendemos a parte prática vamos encaixando o conhecimento teórico'', pondera a brasileira Tathiana Pinotti, de 22 anos, aluna do 3º ano.
Normalmente, os alunos concluem o curso técnico e vão para o mercado de trabalho ganhar experiência. Só depois retornam para cursar o bacharelado. Estimativas da Les Roches apontam que 75% dos alunos deixam a escola empregados em grandes redes, que vão recrutá-los no final do curso. Os demais optam por trabalhar em negócios da família ou montam o seu.

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