Uma editora cheia de planos
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de fevereiro de 1999
Telma Elorza 
Um jovem editor, cansado do ritmo massacrante e desumano da metrópole, busca qualidade de vida em uma cidade do interior. Mesmo abrindo mão de todas as vantagens que um grande centro cultural/comercial oferece, não abdica de seus sonhos: editar livros de qualidade. Para tornar sua pequena editora conhecida, tem que travar uma luta de vida ou morte para quebrar a hegemonia das grandes editoras - que praticamente controlam o mercado editorial. Suas armas são apenas seus livros. Como tudo terminará?
Embora o texto acima pareça a resenha de um livro, o final desta história ainda não é conhecido. Afinal, trata-se de uma história real, que está acontecendo agora e não apenas na imaginação de algum autor. O jovem editor é o paulistano Paulo Schimidt, 34 anos, que há cinco meses mudou-se para Londrina, vindo de São Paulo. No Paraná, abriu sua editora, a Campanário Editorial. E agora coloca no mercado seus dois primeiros títulos: A Rainha Margot e O Homem da Máscara de Ferro, ambos do escritor francês Alexandre Dumas, traduzidos pelo próprio editor (veja texto nesta página).
Os dois livros, inéditos no Brasil, são apenas o começo. Nos planos de Schimidt - que pretende, no futuro, concorrer diretamente com as grandes editoras brasileiras -, estão outros autores clássicos da literatura universal e autores contemporâneos, sem esquecer os brasileiros. O principal requisito, porém, é a qualidade, é ser bom, lembra.
Schimidt está no ramo há pouco mais de um ano. Fundou uma editora em sociedade com um amigo em São Paulo mas, por desentendimentos entre sócios, a editora foi fechada. Na sequência, mudou-se para Londrina e resolveu investir seus talentos aqui, criando a editora que surge com a proposta de publicar apenas literatura. O Paraná tem várias editoras, mas a maioria trabalha com livros técnicos. E Londrina ainda não tinha esta proposta, acredita.
Neste primeiro ano de vida, a Campanário pretende lançar um total de 10 títulos, dobrando o número no próximo ano. No começo de abril deve sair dois novos títulos: uma biografia/ensaio de Shakespeare escrita pelo autor francês Victor Hugo; e Os Alquimistas, do inglês Charles Mackay. Ambos inéditos no Brasil. Na programação deste ano, temos também títulos de mitologia, religião, ficção e não-ficção. A maioria de autores estrangeiros, mas também dois nacionais que devemos lançar no segundo semestre, conta.
A principal proposta da nova editora é trazer ao público leitor obras que não tenham à disposição. Existem obras universais que nunca foram traduzidas e publicadas no Brasil. Não só de autores clássicos, mas também de contemporâneos que o público gostaria de ler e não tem oportunidade. Estes dois livros do Dumas são exemplo disto, acredita.
Segundo ele, seu principal mercado continua sendo o eixo Rio-São Paulo. Porém, com uma boa rede de distribuição é possível editar livros em qualquer local. O custo operacional é, inclusive, menor, diz. Embora reconheça que 10 títulos anuais sejam um número pequeno de lançamentos em comparação aos das grandes editoras (que colocam no mercado anualmente cerca de 300 títulos), nada o desanima. Temos que começar pequenos, dando um passo de cada vez. Existe uma carência de bons livros. Mas também é preciso ser prático. Abrir espaços mas também ficar de olho no mercado, assegura.


