Jeito não, ela é uma diva! E das superiores. Leny Andrade, pois. Que, se não lhe falha a memória, vai cantar pela primeira vez hoje em Londrina. Será a partir das 21 horas, no Cabaré do Filo, acompanhada de Tito Freitas (teclado), Lúcio Nascimento (baixo) e Adriano de Oliveira (bateria). Preparem-se para um repertório com muita levada jazzística em canções como ‘‘Pedro Brasil’’ (Djavan), ‘‘Eu Quero Ver’’ (Carlinhos Vergueiro, J. Petrolino e Landinho), Wave (Tom Jobim), Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), e composições do mais recente disco só com músicas de Altay Veloso. Claro, não poderiam faltar alguns boleros e ‘‘Saigon’’ (Cláudio Cartier-Paulo César Feital), um dos clássicos da MPB importalizado pelo potente vozeirão dessa senhora cantora de 58 anos (‘‘com muito orgulho’’).
Mas a coisa toda vai rolar mesmo em clima de jazz. Ou jazz-samba, como ela mesmo gosta de definir seu estilo. ‘‘Não tem jeito, meu estilo é esse. E acho ótimo por que só canta jazz quem pode’’, diz ela sem falsas modéstias. E com razão. Com o aval de quem já participou de mais de 60 festivais de jazz pelo mundo afora, ela de pronto acata o título que alguém – sábio por sinal – lhe deu: ‘‘The First Brazilian Jazz Singer’’, ou a primeira cantora de jazz do Brasil.
A discografia de Leny é composta por quase 30 discos. Em todos, ela imprimiu sua versatilidade tanto rítmica quanto – ou principalmente – vocal. A coerência, mas que um adjetivo, é algo que sempre rondou sua trajetória artística sedimentada tanto no Brasil quanto no exterior. Mas é lá fora que ela realmente percebeu ouvidos sinceros à sua arte. No entanto, a cantora não acredita que o Brasil tenha sido injusto com sua arte. Porém, faz uma ressalva. ‘‘Peitos e bundas duras não cantam e assim mesmo a gente é obrigado a ouvir merda. Rapaz, o que tem de porcarias e incompetentes encostados nessa coisa sagrada que é a música... Para mim são gigolôs’’, analisa. ‘‘O jeito é não ligar muito porque senão a gente fica muito, muito sentido’’, completa. Leny é assim mesmo: despachada. Ou melhor, sincera. E mesmo as tiradas mais ácidas soam mais engraçadas do que agressivas. Uma de suas tiradas risíveis: ‘‘Eu tenho horror a mulher de voz fina. Até falando tenho horror, horror, horror!’’.
A indefectível pergunta sobre a listinha de seus preferidos no Brasil, ela diz com orgulho: ‘‘Rosa Passos é uma de nossas melhores compositoras. Ela, a Fátima Guedes e Suely Costa são nossas novas Dolores Duran’’, decreta. Surpresa: uma das novas cantoras que ela admira é... Sandy. ‘‘Cê vai ver o que ela vai cantar daqui há dez anos’’, analisa.
A próxima empreitada de Leny Andrade está prestes a baixar nas prateleiras. Trata-se de um disco em que faz tributo a Ronaldo Bôscoli. Deve sair até agosto pela gravadora Albatroz, de Roberto Menescal. O repertório terá 12 músicas, entre elas. ‘‘Rio’’, ‘‘O Barquinho’’. ‘‘Canção que Morre no Ar’’, ‘‘Telefone’’, ‘‘Lobo Bobo’’, a pouco conhecida ‘‘Copacabana de Sempre’’, entre outras. ‘‘Em se falando de Rio de Janeiro, o Bôscoli é o maior letrista’’, diz.

mockup