UMA DIVA NO CABARÉ
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Antônio Mariano Júnior De Londrina 
Jeito não, ela é uma diva! E das superiores. Leny Andrade, pois. Que, se não lhe falha a memória, vai cantar pela primeira vez hoje em Londrina. Será a partir das 21 horas, no Cabaré do Filo, acompanhada de Tito Freitas (teclado), Lúcio Nascimento (baixo) e Adriano de Oliveira (bateria). Preparem-se para um repertório com muita levada jazzística em canções como Pedro Brasil (Djavan), Eu Quero Ver (Carlinhos Vergueiro, J. Petrolino e Landinho), Wave (Tom Jobim), Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), e composições do mais recente disco só com músicas de Altay Veloso. Claro, não poderiam faltar alguns boleros e Saigon (Cláudio Cartier-Paulo César Feital), um dos clássicos da MPB importalizado pelo potente vozeirão dessa senhora cantora de 58 anos (com muito orgulho).
Mas a coisa toda vai rolar mesmo em clima de jazz. Ou jazz-samba, como ela mesmo gosta de definir seu estilo. Não tem jeito, meu estilo é esse. E acho ótimo por que só canta jazz quem pode, diz ela sem falsas modéstias. E com razão. Com o aval de quem já participou de mais de 60 festivais de jazz pelo mundo afora, ela de pronto acata o título que alguém sábio por sinal lhe deu: The First Brazilian Jazz Singer, ou a primeira cantora de jazz do Brasil.
A discografia de Leny é composta por quase 30 discos. Em todos, ela imprimiu sua versatilidade tanto rítmica quanto ou principalmente vocal. A coerência, mas que um adjetivo, é algo que sempre rondou sua trajetória artística sedimentada tanto no Brasil quanto no exterior. Mas é lá fora que ela realmente percebeu ouvidos sinceros à sua arte. No entanto, a cantora não acredita que o Brasil tenha sido injusto com sua arte. Porém, faz uma ressalva. Peitos e bundas duras não cantam e assim mesmo a gente é obrigado a ouvir merda. Rapaz, o que tem de porcarias e incompetentes encostados nessa coisa sagrada que é a música... Para mim são gigolôs, analisa. O jeito é não ligar muito porque senão a gente fica muito, muito sentido, completa. Leny é assim mesmo: despachada. Ou melhor, sincera. E mesmo as tiradas mais ácidas soam mais engraçadas do que agressivas. Uma de suas tiradas risíveis: Eu tenho horror a mulher de voz fina. Até falando tenho horror, horror, horror!.
A indefectível pergunta sobre a listinha de seus preferidos no Brasil, ela diz com orgulho: Rosa Passos é uma de nossas melhores compositoras. Ela, a Fátima Guedes e Suely Costa são nossas novas Dolores Duran, decreta. Surpresa: uma das novas cantoras que ela admira é... Sandy. Cê vai ver o que ela vai cantar daqui há dez anos, analisa.
A próxima empreitada de Leny Andrade está prestes a baixar nas prateleiras. Trata-se de um disco em que faz tributo a Ronaldo Bôscoli. Deve sair até agosto pela gravadora Albatroz, de Roberto Menescal. O repertório terá 12 músicas, entre elas. Rio, O Barquinho. Canção que Morre no Ar, Telefone, Lobo Bobo, a pouco conhecida Copacabana de Sempre, entre outras. Em se falando de Rio de Janeiro, o Bôscoli é o maior letrista, diz.


