Uma diva da canção japonesa em Londrina
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sábado, 05 de novembro de 2011
Adriana Ito <br> Reportagem Local
Imagine a Celine Dion fazendo um show em Londrina. Impossível? Pois, para a comunidade nipo-brasileira, foi algo semelhante o que aconteceu na noite de quinta-feira, no Teatro Marista. A japonesa Aki Yashiro, uma das maiores cantoras de seu país, com 41 anos de carreira, emocionou uma plateia composta por gente de todo o Paraná e interior de São Paulo. Fãs que há décadas vinham ouvindo suas músicas por fitas cassete, CDs e vídeos gravados da tevê japonesa NHK, e que jamais haviam sonhado com uma oportunidade dessas.
Tudo foi feito meio na surdina. Em tempos de Facebook e Twitter, o nome Yashiro Aki (os japoneses dizem o sobrenome primeiro) foi o trending topic do boca a boca na comunidade. ''Soube do show pela minha filha, que mora em Londrina'', contou Hiroko Okuno, 68 anos, de Nova Esperança. Hiroko nasceu no Japão, e nunca imaginou que veria de perto sua cantora favorita no Brasil.
Do mesmo modo, a grande maioria ali soube do show por algum conhecido, e logo tratou de avisar amigos e familiares. Assim, sem praticamente nenhuma divulgação oficial, os cerca de 800 ingressos (que custavam entre R$ 60 e R$ 100) se esgotaram com um mês de antecedência. ''Sou fã dela desde quando era mocinha. Fui ao show que ela fez em São Paulo, há 28 anos. É minha cantora favorita; se não viesse aqui, iria vê-la de novo na capital paulista'', afirmou a professora de ikebana Lia Aihara, 76 anos, de Curitiba.
A apresentação fazia parte do projeto ''Nihon no Uta'', entidade sem fins lucrativos que visa preservar e divulgar as músicas tradicionais japonesas. ''Os shows seriam apenas em São Paulo. Foi a própria cantora que pediu para vir a Londrina. Em 1983, em sua primeira vinda ao Brasil, ela havia passado pela cidade e gostado muito. E elogiou bastante o calor humano dos paranaeses'', revelou o coordenador geral do evento, Ricardo Origassa.
Já na tarde de quinta-feira, várias vans e micro-ônibus começavam a se acumular ao redor do teatro. ''Nós viemos de van lotada, saímos de Arapongas às 17h. Ficamos mais de uma hora de pé na fila, sob o sol, mas valeu a pena'', comentou Margarida Misse, assessora da Associação Brasileira da Canção Japonesa.
Embora constassem do programa apenas sete músicas, sendo duas delas canções tradicionais infantis, a cantora surpreendeu a plateia com outras de seu repertório e principalmente com seu carisma e humildade, interagindo o tempo todo com os espectadores. ''Gente, como é longe! Foi uma viagem cansativa, e o cronograma é bem pesado, não sobra tempo nem para passear um pouco. Mas sou grata por estar aqui, de verdade'', comentou Yashiro Aki.
O público, por sua vez, não só aplaudiu efusivamente antes mesmo de as músicas acabarem, como cantou junto, baixinho, todas as músicas. ''Foi excelente, chegou a tirar lágrimas da gente. Ela é comunicativa, simpática, não se coloca em um pedestal'', elogiaram Junji e Hiroko Nagasawa, de Bauru.
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