Uma década de Terra Celta
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sábado, 09 de maio de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
A banda londrinense Terra Celta começa a comemorar os dez anos de trabalho em 2015 ao melhor estilo. Depois do sucesso estrondoso e super comentado no Rock in Rio no Rio de Janeiro, em 2013, e Rock in Rio em Lisboa, em 2014, iniciaram uma série de shows ontem no Rock in Rio em Las Vegas, que segue até o próximo fim de semana. E se depender das experiências anteriores, tudo indica que a passagem do grupo por terras norte-americanas vai repetir a façanha e causar alvoroço na multidão gringa com seus instrumentos inusitados e roupas exóticas.
Grupo que se destaca pela irreverência e animação, comprovou ao longo desse tempo que também tem versatilidade de sobra. Desde o início da formação, passou por algumas mudanças e adaptações, mas sem perder a essência de alegrar e envolver o público com canções alto astral. Se no começo faziam covers de músicas celtas tradicionais e folclóricas carregadas nos sotaques irlandês e escocês, atualmente, já colecionam diversas composições autorais no set list, todas em português.
"Sempre tivemos claro em mente que não iríamos conseguir tocar como irlandeses. Então, decidimos fazer do nosso jeito, com a nossa cara. As canções, sempre festivas, eram mais instrumentais, pano de fundo para as pessoas dançarem. Com o tempo, percebemos a necessidade de trazer o público mais próximo da gente. Isso foi possível com músicas em português, recheadas de refrões e acordes de fácil memorização", diz Élcio de Oliveira Filho, que desempenha as posições de vocalista, violino, gaita de fole e nyckelharpa. Bem emblemática, a música "Até o último gole" veio para iniciar essa fase.
Além dele, fazem parte do grupo Luiz Fernando Nascimento Sardo (baterista), Alexandre Garcia (acordeom), Edgar Nakandakari (banjo, mandolin, tin whistle, clarinete, gaita de fole e hurdy gurby), Eduardo Brancalion (guitarra, violão e bouzouki) e Bruno Guimarães (baixo). Tantas cabeças juntas resultaram numa banda diversificada e com várias influências que vão do rock ao jazz. Diferenças à parte, a sintonia entre eles é total; letras e melodias são criadas com a participação de todos. Já são dois CDs no currículo: No Sintoma e Falkatrua. "Uma a uma foram surgindo as composições. Hoje, temos um show de três horas somente com músicas autorais e em português", garante Eduardo Brancalion.
Sobre a heterogeneidade do grupo, ele destaca que cada um trouxe sua experiência e suas preferências musicais. "A consequência mais expressiva é o aproveitamento dessas características que se refletem em nosso perfil inovador e, ao mesmo tempo, consistente", comenta o guitarrista. Cerca de três anos atrás, contudo, houve uma espécie de "crise de identidade". "Tocamos em muitos lugares com perfis distintos. Isso nos fez parar e pensar: o que a gente é? Foi então que encontramos um "rótulo" definido pelos próprios fãs: folk rock. Se eles assim disseram, nós acatamos", diz Élcio.
Essa parada para pensar, segundo ele, fruto de amadurecimento, foi importante, inclusive, para reavaliarem os passos e projetos futuros. "No começo tudo é aceito, mas com nosso amadurecimento era preciso uma identidade. O artista em geral procura uma linguagem em seu trabalho, o que tem a ver com sua personalidade. Hoje, temos um show que fala de amor, ecologia, crítica social. Com esses temas reunidos conseguimos dizer que "isso" é o Terra Celta", defende Brancalion.
Sendo assim, agora se dizem realizados por conseguirem transmitir sua mensagem. "Nos preocupamos que nosso trabalho sempre tenha melodias que aproximem o público da banda com músicas que sejam simples do público entender e arranjos que as pessoas saiam assoviando depois do show. De algum jeito as pessoas têm que participar da música, seja dançando ou cantando o refrão. Somando a isso tudo, as músicas devem ter temas positivos, alegria e festividade, mas de maneira crítica e reflexiva. Acreditamos que esses fatores tornem o grande diferencial do nosso trabalho, que faz o público tornar-se mais uma parte da banda. Em nosso show não há estranhos, apenas amigos que ainda não se conhecem."


