Uma das melhores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 1997
Telma Elorza 
A primeira fase do Festival Internacional de Londrina (Filo), Mostra Regional de Teatro, encerrada domingo, foi assistida por cerca de 25 mil pessoas (entre público pagante, convidados, espetáculos de rua e show de abertura) e considerada, pelos organizadores, uma das melhores já realizadas nos 30 anos do festival.
Ao todo, foram realizadas 27 apresentações com 21 companhias de teatro de Londrina, Curitiba, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina, além de uma demonstração de trabalho e apresentação pública de sete projetos cênicos. A Mostra também contou, em sua programação paralela, com o Fórum da Rede Brasil, o lançamento dos livros 30 anos de História, Fotolegendas, Cartas do Filo e Seis Peças de Mário Bortolotto, além da exposição Picolino - 74 Anos de Alegria.
Segundo a diretora artística do Filo e vice-reitora da Universidade Estadual de Londrina, Nitis Jacon, a Mostra comemorou seus 30 anos de forma digna, com a participação de grupos excelentes, de modo geral, e com casa cheia em praticamente todos os espetáculos. A própria programação foi excelente. Foram apresentadas peças de alto nível, provando que o teatro universitário pode e deve ser estimulado - afirma.
Rede Procen Uma das grandes novidades da Mostra, segundo Nitis, foi trazer a público os projetos cênicos que utilizam o teatro como meio para um finalidade social. Em uma reunião, realizada domingo, entre os coordenadores destes projetos, propusemos a criação de uma rede de projetos cênicos, que já surge com o nome de Rede Procen, para atuar como um órgão representativo de grupos que atuam na comunidade, em várias áreas - explica.
Nitis diz que a Rede Procen foi proposta com dois objetivos: dar aos projetos visibilidade na comunidade e suporte para que consiguam apoio para sobrevivência dos trabalhos. O projeto do Teatro na Zona Rural, por exemplo, precisa oferecer merenda para se expandir. Muitas das crianças que participam ou querem participar, às vezes não tem condições de voltar para casa para almoçar. Então, a rede vai fazer o levantamento das dificuldades e recursos e promover intercâmbio entre os próprios grupos - diz.
Já no Fórum da Rede Brasil, foi apresentado um projeto de lei que será encaminhado ao Ministério da Cultura. O projeto propõe a criação de um Fundo Nacional de Artes Cênicas e um substitutivo à Lei Rounet, onde o incentivo seria de até 3% do imposto devido, mas abatido integralmente como na Lei de Audiovisuais. Na Lei Rounet é possível investir até 5% do imposto devido mas com abatimento de 70% do valor.
Internacional Segundo a diretora, a segunda fase do Filo, a Internacional, será realizada de 27 de maio a 7 de junho, com o mesmo pique da Mostra Regional. O Filo terá a participação de 20 grupos da África, Europa, Américas do Norte e Sul e Ásia. O grupo canadense Carbone 14 faz o espetáculo de abertura do festival. O Brasil participa com cinco grupos: Chameckilerner, Gerald Thomas, Parlapatões, Ventoforte e Maria Alice Vergueiro.
A dificuldade maior ainda é o dinheiro que, até o momento, não foi liberado. Mas, para ela, este ano houve maior facilidade no acesso a fontes de recursos e há promessas de patrocínio de vários órgãos. Até agora só temos R$ 100 mil em caixa que não pagam nem a Mostra Regional. Mas acredito que vamos chegar ao final com todas as dívidas pagas. De qualquer forma, o festival vai sair. Não tem volta - garante.
Como em outros anos, o Filo vai mostrar várias tendências das artes cênicas, inclusive música, dança e circo. Todos vão oferecer oficinas a grupos londrinenses e da região. Este é um dos nossos objetivos. O festival não é para ganhar dinheiro, mas para tentar dar melhores condições para que a produção local cresça e evolua. Infelizmente, na Mostra Regional, vimos que o teatro em Londrina, que já foi um dos melhores do Brasil, estagnou-se. Em comparação alguns grupos universitários que mostraram trabalho de altíssimo nível, o teatro londrinense deixou muito a desejar - afirma.
Para Nitis, a exceção foram os grupos Boca de Baco, que cresceu muito, com atores muito bons; e o Trup Grupo de Dança que, a partir de um começo como escola de dança, mostrou um trabalho sério e com um rigor excepcionais. Eu não quero discriminar ninguém, mas é preciso que os grupos londrinenses se aprimorem mais. E o Festival Internacional dá esta oportunidade - diz. Uma das medidas tomadas para isto será o ingresso gratuito para os diretores que não tiverem condições de pagar os ingressos. Para isto, basta procurar a comissão organizadora - explica.


