Para a bailarina americana Maureen Fleming dançar nua, envolta em tecidos transparentes e fluidos, é uma forma de facilitar a comunicação e deixá-la mais próxima da alma do espectador. Desnudando-se, ela diz deixar à mostra a essência da dança, assim como as emoções mais íntimas do ser humano. Pela segunda vez em Londrina, Maureen Fleming abre nesta sexta-feira a 46ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo) com o espetáculo solo "Black Madonna". A apresentação, com duração de 70 minutos, com intervalo, será realizada no Teatro Marista, de sexta a domingo, sempre às 20h30.
No palco, Maureen será acompanhada pelo pianista Bruce Brubaker, que irá interpretar composições de Philip Glass, Guy Klucevsek e Kaoru Watanabe. Em 2005, ela apresentou no Filo o espetáculo "After Eros", no saudoso Teatro Ouro Verde, deixando a plateia impactada com a sua performance repleta de técnica e delicadeza. Na época, ela contou com a participação do pianista Peter Phillips, que faleceu recentemente vítima de câncer.
Aos 60 anos, Maureen diz que a habilidade de dançar está ainda melhor com o passar dos anos e é adepta de um tipo de dança moderna que tem inspiração no teatro butô (ela foi aluna de Kazuo Ohno), ainda mais pelo fato dela ter nascido no Japão (seu pai era militar da base naval próxima a Yokoyama). Ao primar pela conexão entre diversas formas de arte e culturas, sua arte também é marcada pelo teatro visual. Em "Black Madonna", desta vez a artista se conecta com a mítica divindade grega Perséfone, deusa da terra e da agricultura - ao mesmo tempo que era a rainha do "mundo infernal", que vigiava as almas dos falecidos - para falar da superação da dor, da busca inconsciente e mitológica pela luz.
A inspiração para a performance surgiu durante uma experiência de trabalho feita na Ilha de Itaparica, na Bahia, há alguns anos, ao se deparar com a fotografia do enforcamento de uma escrava. "Isso me remeteu à capacidade que temos de transcender à crueldade humana e logo me veio a imagem de esculturas primitivas contrastadas com a imagem da virgem abençoada sob um véu preto", conta Maureen, por e-mail (leia mais abaixo).
De forma particular, ela mesma considera que a sua expressão artística é uma forma de superação, já que na fase adulta descobriu que um acidente de carro que sofreu aos dois anos de idade – quando um ciclista atravessa na frente do carro que a sua mãe dirigia – causou-lhe ferimentos tão graves na coluna vertebral que poderiam ter lhe condenado à uma cadeira de rodas. "Intuitivamente, criei danças que ajudaram a curar minhas feridas", afirma. Leia abaixo entrevista exclusiva à FOLHA.

Ingressos esgotados
Informamos que já estão esgotados os ingressos para o espetáculo Clown's Houses, do grupo Merlin Puppet Theatre, da Grécia.
De amanhã a 7 de setembro, o Filo traz mais de 40 atrações brasileiras e de sete países (Argentina, Estados Unidos, Espanha, Grécia, Itália, França e Bélgica), contemplando mais de 80 apresentações em diversos espaços da cidade.

SERVIÇO
"Black Madonna", com Maureen Fleming (Estados Unidos)
Quando – De sexta a domingo, às 20h30
Onde – Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240), em Londrina
Quanto – R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada)
Pontos de venda – Bilheteria do Filo (R. Mato Grosso, 310 – Royal Plaza Shopping), das 10h às 22h (segunda a sábado) e das 11h às 20h (domingos e feriados) e pelo site www.diskingressos.com.br

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