Curitiba Demorou, mas o cinema paranaense começa a sair do limbo. As atenções se voltaram para as produções estaduais, na semana passada, quando dois diretores curitibanos retornaram do Festival de Gramado trazendo na bagagem cinco prêmios. Os tão sonhados kikitos foram entregues aos média-metragens ''O Fim do Ciúme'', dirigido por Luciano Coelho e ''O Encontro'', de Marcos Jorge. Na onda das pratas da casa, vale a pena prestar atenção em filmes que ainda não foram premiados, mas que já começam a se sobressair.
Hoje, estréia em Curitiba o longa ''Onde os Poetas Morrem Primeiro'', dos irmãos paranaenses Werner e Willy Schumann. O filme entra em cartaz no Cine Luz, no circuito da Fundação Cultural de Curitiba, derrubando um dos problemas mais comuns sofridos pelas cineastas: a distribuição. ''Mais do que a qualidade do som, a dificuldade do cinema brasileiro sempre foi a distribuição'', constata o diretor Werner Schumann.
O filme teve pré-estréia no ano passado nos Estados Unidos, mas só agora chega à tela natal. Sem modéstia, o diretor coloca o longa de 90 minutos ao lado de ''Avassaladoras'' e outras comédias românticas nacionais que fizeram sucesso recentemente, talvez nem tanto pela qualidade cinematográfica quanto pelo gênero visitado. '''Onde os Poetas Morrem Primeiro' é o nosso filme mais pop'', diz o diretor que já assinou filmes como ''Ervilha da Fantasia'', documentário sobre a obra de Paulo Leminski e ''Pioneiros do Cinema'', comédia que homenageia os cineastas pioneiros do sul do Brasil. Ambos para a televisão.
É a comédia, aliás, que os irmãos revisitam em ''Onde os poetas morrem primeiro''. O filme é baseado no livro ''O Tribunal'' do poeta e escritor paulista Álvaro Alves de Faria. Foi filmado durante 21 dias, com recursos parcos de produção: R$ 300 mil. A excessão de um ator americano convidado (Jeff Beech), todo o elenco é paranaense.
O filme conta a história do escritor Guido (Marcos de Góes) e suas relações. Depois de fazer sucesso com seu primeiro livro, Guido é pressionado pela sua editora para concluir o seu segundo romance. Ele entra em crise depois de romper o namoro com Charlotte (Maíra Weber) e acaba transferindo para a sua obra os seus conflitos pessoais. Charlotte, por sua vez, busca um novo namorado com a ajuda da sua amiga Beth (Sílvia Monteiro).
Por mais que pareça um ''Pequeno Dicionário Amoroso'', o diretor revela que tudo no filme é dito e mostrado com ironia, a começar pelo título, uma referência ao livro que o autor está escrevendo. ''O filme também pode ser definido como uma sátira aos clichês das comédias românticas, mostrando que, nem mesmo os poetas resistem à pressão de uma separação e que no final das contas o que vale mesmo é a máxima de Roberto Freire: ame e de vexame'', salienta.
O filme chegou a ser inscrito para um festival de cinema londrino, mas na época não pode ser levado a terras estrangeiras porque não estava legendado. Vencido o desafio, foi exibido em Chicago o ano passado, quando começou a sua ainda modesta carreira de exibição pública. ''É um filme para as pessoas se divertirem'', adianta. ''Uma comédia light. Quem for assistir, garanto que não vai engordar'', brinca Werner Shumann.
''Onde os Poetas Morrem Primeiro'', estréia hoje, no Cine Luz (Praça Santos Andrade), em Curitiba. Sessões às 15, 17, 19 e 21 horas.

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