Uma comédia retrô e simpática
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Há nove anos estreava em Londres, e mais tarde na Broadway, o musical ''Mamma Mia!'', escrito por Catherine Johnson. O mérito da autora foi o encaixe perfeito, em uma trama imaginativa, de inúmeras canções mais conhecidas do grupo australiano Abba, com algum divertido retoque nas letras. O sucesso foi imediato. Quase uma década depois, a mesma Catherine, agora roteirista, e a mesma diretora da montagem teatral, Phillida Lloyd, se encarregaram desta versão cinematográfica de ''Mamma Mia!'' que estréia hoje no circuito nacional - veja a programação de cinema na página 2.
Adaptar um musical de teatro para o cinema nunca foi tarefa das mais fáceis. Enquanto alguns poucos conseguem ultrapassar esta ponte de maneira ideal - ''A Noviça Rebelde'' é exemplo didático -, outros encontram maiores dificuldades na hora da ''tradução'', como ''Cabaret'', por exemplo. Na tela, ''Mamma Mia!'' se deixa ver sem maiores problemas. Mas esta, digamos, funcionalidade, somente se obtém porque estão em cena as canções que são êxitos populares comprovados e um elenco à altura de qualquer desafio, para o bem ou para o mal. Aqui, felizmente, mais para o bem.
Donna (Meryl Streep) é mãe solteira que criou sozinha a filha Sophie em Kalokari, idílica ilha grega onde gerencia um pequeno hotel. A garota agora está prestes a se casar, e sempre quis saber quem é seu pai. Ela envia convites a três homens que visitaram a ilha há vinte anos. Segundo o diário da mãe, encontrado por acaso, dúvidas persistem sobre quem teria sido o sedutor de plantão, já que tudo indica que Donna manteve relações com o trio em curto período de tempo.
São eles: o empreendedor Sam Carmichael (Pierce Brosnan parece aqui finalmente aposentar 007...), o banqueiro Harry Bright (Colin Firth, como cantor um ótimo ator) e o escritor Bill Anderson (Stellan Skargard), que chegam à ilha ao mesmo tempo simultaneamente com duas grandes amigas de Donna, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), também convidadas especiais. O trio feminino formou no passado o grupo Donna and the Dynamos...
Logo de cara o público vai se deixar levar por uma comédia inteiramente retrô, algo estridente, um tanto maneirista. Mas bem simpática, onde La Streep aparece esplêndida como sempre. Importa pouco que as coreografias dos números musicais beirem a indigência, ou os dotes canoros de muitos atores sejam sofríveis. Ou ainda que se note a fragilidade da estreante Phyllida Lloyd na direção - suas imagens não têm a força de outros musicais recentes, a parte final perde fôlego e consequentemente o ritmo cai em sequências que resultam pesadas.
As boas intenções da diretora aqui não aportam ao inferno. Pelo contrário, apesar dos desacertos, o filme funciona e dá para um gasto até um pouquinho mais exigente do que o habitual. Há bons números musicais, como ''Mamma Mia!'' ou ''Chiquitita''. Vale ainda o olhar nostálgico naqueles anos 1970 marcados pelo espírito reivindicatório de maio de 68, pela permissividade sexual e certa tolerância com o uso de drogas menos pesadas. Este olhar é agora filtrado por personagens que amadureceram e olham o passado em chave crítica.


