Uma comédia elegante e mordaz
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
A modelagem a qual o diretor Pierre Salvadori recorreu para realizar ''Amar...Não Tem Preço'' é claramente o classicismo de alguns dos maiores expoentes da comédia a um só tempo afiada e sofisticada de craques americanos do gênero, como Billy Wilder, Preston Sturges e muito especialmente Ernst Lubtisch.
Neste filme inofensivo, eficaz e correto que estréia no circuito local (confira a programação na página 2), pode-se detectar uma bem resolvida intenção de combinar os diálogos aguçados e o ritmo vertiginoso entre casais na screwball-comedy com o humor físico próprio do slapstick e um olhar irônico sobre o universo do consumo sofisticado, com seu jogo de aparências, seu extremo cinismo e a sedução que projetam hotéis, lojas de luxo e restaurantes exclusivos encravados, como neste caso, em paradisíacos recantos da Côte d'Azur francesa.
Os protagonistas desta comédia romântica, gênero nos últimos tempos tão abastardado por seus próprios inventores, são Jean (Gad Elmaleh), tímido e patético camareiro que trabalha em hotel cinco estrelas, e Irene (Audrey Tatou, despojando-se de sua ingenuidade de Amelie Poulain), jovem ambiciosa e manipuladora cuja principal meta - para não dizer única - é manter-se no circuito chic de veraneio seduzindo em série milionários veteranos, o que lhe permite o consumo compulsivo de artigos de grandes grifes até a visada consumação, algum dia, do objetivo final: casar com um deles.
Mas de acordo com o figurino padrão de toda boa comédia à base de inesperados enganos e complicações, as coisas não sairão como Irene espera. Ela acredita que Jean é uma presa em potencial. Mas logo vai saber que ele é um farsante à sua altura. Iniciada esta trama de equívocos, Jean demonstrará que, como ela, também pode ser um caça-fortunas profissional.
Nada no filme contraria a proposta feita desde o início: a de uma comédia ligeira à francesa, mais leve do que intelectual, mas inteligente o bastante para mostrar aos contemporâneos ''donos'' do gênero que inteligência, em qualquer caso, é fundamental. (C.E.L.J.)


