Celso Mattos
De Londrina
Mesmo quem não curte muito o humor sarcástico de Woody Allen vai se divertir muito assistindo ao hilariante ‘‘Desconstruindo Harry’’, que acaba de chegar às locadoras. Escrito, dirigido e protagonizado pelo cineasta, o filme não deixa nada a desejar aos trabalhos anteriores do diretor. Na fita, Woody Allen interpreta o escritor de meia-idade Harry Block, que atravessa uma grave crise pessoal e de criatividade.
Neurótico e obcecado com a morte e o sexo – temas sempre presentes nas obras do cineasta – Harry está prestes a ser homenageado na universidade em que leciona. Insatisfeito, começa a fazer um balanço de sua vida, seus amores, e seus três fracassados casamentos. Sempre inovador, Allen vai ‘‘desconstruindo’’ o personagem para o espectador, usando vários flash-backs que correspondem à vida real e a fragmentos autobiográficos da vida do escritor. Como se não bastasse, lá pela metade do filme, ele mistura as duas tramas, fazendo Harry interagir com seus personagens e vice-versa. O resultado é brilhante.
De bem com a vida, Allen atira contra tudo e contra todos, sem o menor receio de parecer politicamente incorreto. Numa sequência antológica do filme, ele desce literalmente ao inferno, como se apenas ali fosse possível descarregar tanta maldade. O sarcasmo costumeiro de Woody Allen está presente em cada diálogo: ‘‘O quê? Você tem ar-condicionado no inferno?’’, pergunta Allen. ‘‘Claro! Dane-se a camada de ozônio...’’, responde o diabo. ‘‘Desconstruindo Harry’’ traz ainda uma galeria de grandes astros fazendo papéis pequenos só pelo prazer de trabalhar com o cineasta. Entre eles estão: Robin Williams, Billy Crystal, Elizabeth Sue, Demi Moore e Amy Irving. Lançamento da Buena Vista. Duração: 96 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Filme exagera no falatório e economiza no visual
O 13º Andar
A obscura linha entre o mundo real e o virtual é o tema deste drama de ficção científica, dirigido e escrito por Josef Rusnak. Lançado nos cinemas pouco depois de ‘‘Matrix’’, o fraquinho ‘‘O 13º Andar’’ é uma produção de baixo orçamento que pegou carona no mesmo tema de mundos gerados por computadores. A idéia até que é interessante, mas como o dinheiro era curto, o filme exagera no falatório e economiza no visual.
A história começa no décimo terceiro andar de um prédio em Los Angeles, onde funciona uma poderosa empresa de software. É ali que um brilhante cientista desenvolve um programa de realidade virtual que simula a Los Angeles de 1937, habitada por seres virtuais. Mas quando o criador do programa aparece morto, seu amigo Douglas Hall (Craig Bierko) se torna o principal suspeito. Misturando ficção científica com filme noir, ‘‘O 13º Andar’’ não é de todo ruim, mas comparado a ‘‘Matrix’’, deixa muito a desejar. Lançamento da Columbia. Duração: 100 minutos.
[Retr-Foto:cd 6 C 31]
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O diretor e roteirista David Mamet fez uma peça filmada
Cadete Winslow
O filme é uma adaptação da peça do dramaturgo inglês Terence Rattigan, vencedora do Prêmio Pulitzer, em 1946. O roteiro e a direção é do premiado David Mamet, responsável pelos roteiros de ‘‘Os Intocáveis’’ e ‘‘Malcom X’’. A fita é inspirada na história real de um jovem cadete naval que é acusado de roubo, na Inglaterra do início do século. O problema é que David Mamet não fez o mínimo esforço para disfarçar a origem teatral do texto. O diretor fez quase uma peça filmada, investindo nos diálogos e abusando do ritmo lento.
O ‘‘Cadete Winslow’’ é um filme sobre justiça e honra. Para provar a inocência do filho, um pai leva um simples caso de roubo ao parlamento inglês. O filme tem diálogos ótimos e uma bela reconstituição de época, mas é arrastado e pouco envolvente.Lançamento da Columbia. Duração: 104 minutos.

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