UMA CIDADE NO MEIO DO MATO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Jackeline Seglin <br> De Londrina 
A cineasta Tizuka Yamasaki apresentou ontem as primeiras etapas da construção da cidade cenográfica do filme ''Gaijin 2'', que terá locações na Fazenda Santa Helena e Mata do Godoy, em Londrina. As filmagens começam após o Carnaval, mas a produção está acelerando a construção para que tudo fique pronto em tempo. O filme, orçado em R$ 7 milhões, tem lançamento previsto para dezembro de 2002.
Também estão previstas filmagens em outras cidades paranaenses (Curitiba, Foz do Iguaçu, Cambará, Ibiporã e Telêmaco Borba), além do Japão. Em Londrina, a área disponibilizada para o projeto é de 20 alqueires. Estão em construção cruzamentos de ruas e as antigas casas de palmito, como no início da colonização da cidade. Por enquanto o movimento é pequeno, mas os homens trabalhando sob o sol quente e no meio da terra vermelha mostram um pouco do que está por vir.
Tizuka Yamasaki antecipa que todo o trabalho deverá resultar em três dias de filmagens na cidade cenográfica, que depois será deixada pronta para funcionar como um parque temático de Londrina.
O cenário vai retratar a Londrina dos anos 30 (1932) e 40 (1945 e 47). Serão duas áreas distintas, separadas por apenas 500 metros de terra. A cidade do ano de 1932 terá 18 quadras, além de 40 construções de palmito, incluindo o primeiro hotel e a primeira casa comercial. Já em 1945, o vilarejo ganhará 25 quadras, com 20 casas de madeira e a praça com a igreja em obras.
A cineasta diz que o filme, que conta a saga de quatro gerações de mulheres, vai mostrar a chegada da tradicional Catita com os imigrantes no primeiro hotel da cidade. A mata será a porta de entrada para o cenário da década de 30, localizado em uma clareira.
Dentro da fazenda será erguida ainda uma vila japonesa, que retratará o Japão de 1916. ''É nessa área que acontecerá o incêncio da casa da família da personagem Maria Titoe. Em 2000, a casa aparecerá reformada''. Em outro local, no meio da mata, será construído o cenário da chegada de Titoe, onde ela constrói sua primeira cabana de palmito. Já a balsa que transportou os imigrantes até Londrina será montada às margens do Rio Tibagi, em trecho ainda a ser definido.
O cenógrafo Oswaldo Eduardo Lioi, que está em Londrina há um mês, diz que uma das dificuldades em seu trabalho é o clima é desfavorável ao ritmo de produção. ''Todas as fotos de época sempre mostram muita lama. Vamos ter que enfrentar chuva e se não tiver, teremos que criá-la em cena'', comenta. ''Mas não estamos numa empreitada tão perigosa quanto os pioneiros naquela época. Hoje temos recursos''.
Outra dificuldade é que existe falta de noção dos trabalhadores do que é um cenário e do que venha a ser real. ''Em outros lugares que são pólos cinematográficos já existe essa consciência. Por isso aqui é mais complicado. Estamos começando agora''.
Para a construção das primeiras casas foram doados cinco caminhões com mil peças de palmito cada. Todo o projeto é desenvolvido, segundo Lioi, com base em fotos de época. A segunda etapa também demandou uma pesquisa apurada. O cenógrafo afirma que as casas precisam ter a vivência do dia-a-dia. ''Por isso é importante o cesto, a enxada, o jarro de água, a carroça, o gado, aquilo que compunha o cenário época. Tudo isso faz parte do registro, que temos em foto''. Mas parte fundamental é a própria população londrinense. ''Aqui tudo é muito novo e temos o registro vivo, as informações orais''.
A diretora de arte de Gaijin 2, Yurika Yamasaki, lamenta que a produção esteja andando vagarosamente. A dificuldade, segundo ela, é a carpintaria. ''Achei que teria mais facilidade aqui em Londrina, mas estamos trabalhando com apenas 30 homens. Esperava pelo menos 100 pessoas''. Yurika se refere à etapa de pré-montagem das 60 casas que serão usadas nas instalações.
A chuva é outro problema para a equipe de produção. ''O acesso ao local é complicado, apesar de as máquinas da prefeitura ajudarem a abrir caminho'', comenta a diretora. Yurika trabalha em conjunto com Oswaldo Lioi e vários assistentes, além do figurinista Jorge de Tharso e do coordenador de montagens Walter Schilke (que já trabalhou como diretor de produção no filme Gaijin, em 1980). ''Temos que correr contra o tempo'', afirma.
A produção do filme vai gerar, de acordo com Tizuka Yamasaki, mais de dois mil empregos em Londrina, desde motoristas a carpinteiros até figurantes. ''Sem contar os estagiários que estão trabalhando conosco na produção. Estamos formando mão-de-obra e gerando empregos''.
''Gaijin 2'' está recebendo patrocínios de diversas empresas. A franquia londrinense Adega Perfumada, de Estela Baggio, está investindo R$ 300 mil na produção. Em contrapartida, terá o merchandising de seus produtos durante o filme. ''É difícil no Brasil uma empresa entender a importância do merchandising no Brasil. Um épico como esse é muito caro e ter uma empresa que invista nesse caso é muito importante'', constata Tizuka.
A produção também conseguiu 30 carpinteiros da Construblock, tendas da Sansuy, os caminhões de palmito doado pela pela Renner e as madeiras cedidas pela Klabin. ''Isso abaixa o orçamento e ajuda para que possamos investir na qualidade técnica do filme'', analisa a cineasta.
A produção de ''Gaijin 2'' ainda não fechou o elenco do filme, mas tem confirmadas as participações de Mariana Ximenes, Paulo Vilhena, Luiz Melo, Guta Stresser, Zezé Polessa, Maria Fernanda Cândido e os internacionais Kyoko Tsukamoto (que participou do primeiro filme), Tamlin Tomita (a personagem Maria Titoe dos 20 aos 45 anos) e Nobu Mcarthy. A produção está negociando participações de alguns artistas de renome no cinema mundial.


