Uma cidade a dançar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de julho de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba O espetáculo ''4 por 4'', da Companhia Deborah Colker, abre hoje, em bom estilo, o 20º Festival de Dança de Joinville. Durante dez dias, a cidade catarinense, localizada a apenas 140 quilômetros de Curitiba, se transforma para receber cerca de quatro mil bailarinos, que se dividem em apresentações no Centreventos Cau Hansen, Teatro Juarez Machado e palcos alternativos.
São 159 grupos concorrentes nas mostras competitivas, além das companhias convidadas. Na edição deste ano, a programação do evento ainda conta com a 2 Mostra de Dança Contemporânea, o 3º Festival Meia Ponta, destinado a crianças de dez a 12 anos de idade e a 1 Mostra Didática de Dança dos alunos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.
Essa primeira mostra da escola, talvez, seja o grande desafio do evento. É a oportunidade de um dos festivais de dança mais importantes de dança do País mostrar que as duas décadas do festival serviram não só como vitrine, mas também para consolidar algo realmente novo.
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil foi instalada em Joinville justamente pela tradição de dança que a realização do festival confere à cidade. Polêmicas à parte já que a maior parte dos professores é brasileira e apenas utiliza a técnica russa como didática a escola já tem mais de um ano de funcionamento e já começa a dar frutos. Pelo menos é o que se espera ver no festival.
Mas se observarem bem, alunos de dança, profissionais ou apenas curiosos podem aprender muito com a dança apenas assistindo aos (bons) espetáculos que se apresentam durante o festival. A começar pela programação de abertura. O espetáculo da companhia de Deborah Colker estreou em maio, em Porto Alegre, e passou por Curitiba antes de seguir para o Rio de Janeiro e São Paulo. Em entrevista à Folha2, na época da curta (e lotada) temporada em Curitiba, Deborah falou que era uma espécie de tradição estrear seus espetáculos no Sul.
A carta na manga era voltar para Joinville na época do festival. O espetáculo que a companhia apresenta, o mais recente do repertório, é uma apresentação sob medida para o evento, já que reúne as técnicas mais importantes da dança.
Com quatro coreografias (uma de brinde, quando Deborah também toca piano) que unem à dança com as artes plásticas, o espetáculo mescla o contemporâneo e o clássico numa dinâmica única, capaz de subverter os quatro cantos do palco, inclusive à percepção da platéia. O espetáculo começa com ''Cantos'', dançada sob os espaços criados pelo artista plástico Cildo Meireles.
É seguido por ''A Mesa'', que atravessa lentamente o palco com dois bailarinos dançando sobre o objeto em movimento, criado pelo grupo Chelpa Ferro. Depois vem ''Povinho'', onde os bailarinos dançam tendo como pano de fundo um imenso painel pintado sob medida por Victor Arruda. No intervalo (o ''brinde concedido'' por Deborah), uma mostra da dança clássica que a companhia bem sabe fazer. Para encerrar, ''Vasos'', uma mostra da apurada técnica desenvolvida pelos bailarinos da companhia, que dançam entre 90 vasos chineses pintados a mão, numa apresentação capaz de tirar o fôlego da platéia.
Depois de ''4 por 4'' está dada a largada para a programação do evento. Entre os 159 grupos concorrentes estão dez paranaenses na Mostra Competitiva e um no Meia Ponta (veja quadro nesta página). Atividades de caráter didático, como cursos, oficinas e workshops, complementam as atrações de mais uma edição do festival, que tem produção da Calvin Entretenimento (leia-se Festival de Teatro de Curitiba).
Serviço
20º Festival de Dança de Joinville. De hoje a 27 de julho. Informações sobre preço dos ingressos podem ser adquiridas pelo televendas (47) 423-1838.


