Uma chance para Ana Furtado
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Márcia Basílio TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasAna Furtado: A associação do meu trabalho ao namoro com Boninho é inevitávelAna Furtado nunca fez aulas de interpretação. No entanto, está à vontade no papel da divertida Drica, em Caça Talentos. Sigo meu instinto e empresto para a personagem o meu lado engraçado, explica. Bem-humorada e falastrona, essa carioca de 23 anos reconhece que tudo aconteceu muito rápido em sua carreira. E admite que sua bela plástica também deu uma importante colaboração.
Afinal, foi com a sedutora dançarina flamenca que era transmitida via Internet na abertura da novela Explode Coração, no final de 95, que a morena de olhos amendoados se apresentou para o País inteiro. A partir daí, minha vida mudou. Nas ruas, já não passava mais despercebida, lembra Ana.
Mas a coreografia lasciva da cigana não caiu apenas nas graças do público. Chamou a atenção também dos caçadores de talentos da emissora. Procuro sempre fazer o melhor. Sou disciplinada e profissional. Isso contou muito a meu favor, avalia. Depois da abertura da trama de Glória Perez, Ana lembra que foi sondada para fazer uma novela. Poucos meses se passaram para se concretizar um convite.
Estréia Mas não foi para uma novela. Ana foi chamada pelo diretor Walter Lacet para fazer o teste para ser uma das apresentadoras de um novo projeto da Globo. Passou pela prova e 10 dias depois estava confirmada para apresentar o programa dominical Ponto a Ponto, ao lado de Márcio Garcia e Daniela Winittz. Quando soube que tinha sido aprovada, Ana sentiu um frio na espinha. Afinal, ela não tinha nenhum preparo. Mesmo assim fui em frente, lembra.
Ana lembra que tentava, a cada edição de Ponto a Ponto, ser ela mesma e se familiarizar com a linguagem e a técnica da tevê. Mesmo assim, diz que só se sentiu à vontade depois do décimo programa. Quando se acostumou, porém, a direção da emissora tirou o Ponto a Ponto do ar. Era um sucesso. Até hoje não entendo por que fizeram isso, lamenta. Ana não acedita que a razão tenha sido a polêmica que envolveu o programa depois da morte de um rapaz no Sul, que teria tentado imitar uma das provas apresentadas no Ponto a Ponto, disputada com uma bola em chamas. Até porque, o programa foi isentado de qualquer culpa.
Amor Na época de Ponto a Ponto, ela acredita ter angariado a simpatia do público infantil e adolescente, o que teria facilitado a empatia da Drica em Caça Talentos. Enquanto o game show estava no ar, Ana conquistou também o coração de Boninho, diretor de núcleo da emissora, com quem mora atualmente.
Ana garante que seu relacionamento com o filho de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni - vice-presidente de coordenação estratégica da Globo - não influi em sua carreira televisiva. Segundo ela, a única coisa que existe é a troca de idéias de como melhorar o que já está realizando. A associação do meu trabalho com o nosso namoro é inevitável, reconhece.
Ana conta que, assim que o Ponto a Ponto terminou, avisaram que ela seria reaproveitada em uma outra produção. Surgiu então o convite para atuar na novela da Angélica - do núcleo comandado pelo namorado. Ela lamenta não ter podido aceitar também o convite do diretor João Falcão para participar de um episódio de A Comédia da Vida Privada, programa povoado por grandes atores. Segundo Ana, ela teve de recusar o convite porque não teria condições de ficar pintando os cabelos, pelo menos duas vezes ao dia durante o tempo da gravação do programa, para interpretar uma personagem loura. Esse convite para mim foi o reconhecimento de que estou no caminho certo, avalia.
Planos Agora, Ana Furtado planeja ratificar o status de atriz atuando numa novela de verdade, para o público adulto. Um papel que exija interpretações mais aprofundadas que Caça Talentos, uma vez que a novelinha da Angélica é apenas um conto de fadas voltado para os fãs da apresentadora infantil.
A primeira aparição de Ana Furtado numa novela não foi em Explode Coração, em 95, como a sensual cigana que sofria um download na abertura. Antes, a modelo teve uma experiência que prefere até esquecer. Era ela uma das pessoas que aparecia num labirinto no final da abertura da novela Pátria Minha, um ano antes. Foi um trabalho desgastante e o resultado não foi nada do que haviam programado, lamenta. Ela lembra que ficou dias e dias trancada dentro de um estúdio para aparecer por frações de segundos.
Esse, inclusive, foi o motivo para que Ana relutasse em repetir esse gênero de trabalho. Quando foi chamada para participar da abertura da novela de Glória Perez, só aceitou por insistência da agência de modelos, da qual era contratada, e de sua mãe. Depois de decidir que a carreira de modelo era seu caminho, Ana lembra que, quando resolveu finalmente fazer o teste para a segunda novela, tudo aconteceu a favor. Até a mulher que o Hans Donner tinha desenhado, meses antes, no layout da abertura, era a minha cara, lembra.
Rumos Até começar na tevê, Ana Furtado não sabia o que queria. Sua primeira opção de carreira foi para Direito. Entrou para a PUC do Rio e já cursava o segundo ano quando decidiu que também queria ser escultora. Fez novo vestibular e passou em sétimo lugar para Artes Plástica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sem nunca ter feito um curso de desenho antes. Nessa época, também queria ser diplomata, lembra. Mas ainda não estava satisfeita. Influenciada por amigos, que elogiavam sua beleza, resolveu ser modelo.
Os requisitos já possuía: 53 quilos, distribuídos por 1,75m de altura, 86cm de busto, 61cm de cintura e 84cm de quadril - medidas que mantém até hoje. Na época com 19 anos, no mesmo dia que levou seu book para a agência Elite, no Rio, foi contratada. Dois dias depois, já estava posando para os fotógrafos. Como falava fluentemente inglês e espanhol e arranhava o francês, seis meses depois estava viajando para Europa e Estados Unidos, sempre trabalhando como modelo. Foi uma experiência que colaborou para o meu crescimento pessoal, avalia Ana, que ainda mantém a profissão de modelo. As universidades ficaram no passado.


