UMA CARREIRA EM ASCENSÃO
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de novembro de 2000
Mariana Trigo TV Press 
Anna Bárbara Xavier, a Babi, é exótica desde a época em que era uma modelo requisitada no eixo Rio/São Paulo. Mas hoje não é só o rosto peculiar e o corpo esguio que atraem olhares para a apresentadora. A verdade é que, na entrega do Troféu Imprensa, Silvio Santos disse que Babi poderia estar lá concorrendo com o programa no ano que vem. É ótimo saber que ele aposta em mim. Mas é bom explicar que só o encontrei três vezes até hoje, ressalva.
A ex-apresentadora do programa Erótica, na MTV, não se intimida em falar sobre a significativa audiência do Programa Livre. A média está em seis, às vezes temos picos de nove pontos, empolga-se.
Atarefada com a produção diária do Programa Livre, a apresentadora afirma que nem pensa em acumular mais um programa e entrar na briga do domingo. Tinha um semanal na MTV, agora estou em um diário no SBT. Já ganhei quatro dias na semana, argumenta. Logo depois, ela desabafa que projeta construir sua carreira aos poucos.
Qual foi o peso de assumir o horário que era do Jô, o programa que era do Serginho Groisman e o horário que a Marília Gabriela queria?
Não espero superar os três, que têm mais vivência, experiência e know-how. Queria ser bem dirigida e ponto. Eu não esperava essa oportunidade que o Silvio Santos me deu, mas fiquei muito feliz. A conclusão a que eu cheguei foi: se o Silvio aposta em mim, por que eu não iria apostar? Se ele acredita, quem sou eu para duvidar? Estou no lucro de aprendizagem. Hoje, o público me pede para o programa ser exibido um pouco mais cedo porque não consegue acordar no dia seguinte. Eu não peço nada ao SBT, mas adoraria atender aos pedidos de quem me assiste ou que gostaria e não me vê porque precisa dormir cedo. Mas entendo o quanto deve ser complicado mexer em grade de programação.
Como você reagiu ao ser demitida da MTV por negociar com o SBT sem aviso prévio à emissora?
Fiquei triste. Tive duas reuniões com o Silvio. Não falei nada com a MTV porque pensei que ia pintar ciumeira. Eles poderiam falar: Lá vai ser ruim para você. Pelo meu contrato, poderia fazer tevê aberta. Havia feito um piloto para o programa Um Minuto ou Não, que seria vendido para a CNT ou a Record, que estavam interessadas. A MTV disse que não havia nenhum problema porque eles não eram concorrência. Quando renovei o contrato com a MTV, a agência Ford Models me empresariava. Perguntei para a Ima, da Ford, se ela havia lido o contrato e se eu podia assinar. Ela disse que sim. Tudo bem, assinei um contrato sem ler. Foi um erro. Mas, a MTV, que me processou por quebra de contrato, viu acontecer. Premeditaram tudo. Eu não tinha assessoria jurídica. Era eu, pessoa física, negociando com a própria empresa.
Você saiu da MTV um ano antes de acabar o contrato. Daria para conciliar o Erótica e o Programa Livre?
Daria, com certeza. O Silvio falou para eu gravar segunda, terça e quarta até a hora do almoço. Quando eu assinei com o SBT, me disseram para terminar os meus contratos que eles me queriam só para eles. Quando fiz as duas reuniões com o Silvio, ele pediu que eu apresentasse um dia do Programa Livre com os outros dois apresentadores. Se ele gostasse, aumentaria o número de dias para eu apresentar. O contrato era de dois anos. Não sei o que aconteceu, mas pouco tempo depois, ele pediu que eu apresentasse o Programa Livre sozinha e me contratou por quatro anos. O Silvio disse que não me queria só por dois anos, senão a Globo iria me roubar quando terminasse o contrato.
Dependendo da proposta, você voltaria um dia para a MTV?
Não dá para voltar a trabalhar com André Montovani, na MTV. No dia 8 de dezembro do ano passado, ele me deu um abraço, falando que ia me ajudar porque as coisas estavam acontecendo muito rapidamente comigo. No dia seguinte, me mandou uma carta reincidindo o contrato e pedindo que pagasse R$ 35 mil de multa. Na época, ganhava R$ 2 mil reais por mês. É uma hipótese totalmente descartada voltar um dia para a MTV.
Como foi a briga com o ex-diretor do programa, o Vildomar Batista? Ele alegou que você havia tirado o ponto no meio do programa, recusando-se a usá-lo...
Sempre tive uma boa relação com o ponto. Ele é o maior aliado do apresentador. Ninguém deve ser uma máquina de decorar. Deve-se saber improvisar. Estava entrevistando a cantora Baby do Brasil, que estava dando uma declaração importante para eu interromper, algo que o diretor deveria perceber. Esta é a sua função. Mas logo depois entraria a Susana Werner e a Simone, todas arrumadas, lindas. Queriam que colocasse a Susana, de saia, para jogar futebol, e a Simone para jogar basquete. O diretor também queria que eu falasse sobre o Ronaldinho com a Susana. Para quê? Isso é o passado dela. Podíamos falar sobre a carreira, que é mais interessante. Estudo as entrevistas antes e não encontrava link para fazer com que elas jogassem bola no final do programa. O diretor batia o pé, era o dono da verdade.
Mas você tirou o ponto e saiu do estúdio?
Tive uma discussão editorial com ele. Disse que não exporia as entrevistadas. Tirei o ponto, coloquei na mão do meu produtor e saí. Tinha direito de fazer isso. Preciso de tesão para fazer o programa, preciso estar com uma cara boa, feliz. Não entendo uma pessoa gritando comigo sem necessidade. Esse é um estilo de direção muito antigo, onde o diretor tem de fazer o papel de mal-humorado para impor respeito. Naquela hora, tirei o ponto porque não tinha mais condição emocional de fazer o programa. O diretor gritava no meu ouvido.
Como você reagiu ao descobrir que o Vildomar distribuía perguntas previamente selecionadas à platéia?
Fiquei extremamente incomodada. Era um bate-papo ensaiado. Agora, tenho perguntas que me servem como base, que também sugiro na reunião de pauta. A platéia está livre para perguntar. No começo do programa, o Rick fala sobre o entrevistado e pergunta o que eles querem saber. Dessa forma a galera fica ligada.
Hoje você está sendo dirigida pelo Ângelo Ribeiro e tem a consultoria de Rick Medeiros, homem de confiança do Silvio. Qual tem sido o resultado da nova direção?
Lembro do dia em que o Rick entrou no meu camarim e disse que pediu para o Silvio para tomar conta do meu programa, porque estava abandonado. Essa dupla está funcionando. Estou mais descansada e mais feliz com eles. De longe essa é a melhor fase do Programa Livre. Agora posso colocar o microfone na boca de um entrevistado e dizer: E aí? Fala tudo, sem pé atrás, desarmado.
O que a Babi gostaria de falar, sem pé atrás e desarmada?
Li muitas coisas nos jornais que não falei. Sabia que não poderia agradar a gregos e troianos. Me incomodou ficar, para algumas pessoas da imprensa, com a imagem de inacessível, achando que eu não queria falar porque virei estrela. Não acho que sair de uma emissora para outra é virar estrela. Sumi da imprensa porque seria muita pretensão minha dar uma matéria para falar sobre expectativas do programa.


