Foi em um bonito fim de tarde, na frente de uma padaria na pequena comunidade litorânea de Caraíva, em Porto Seguro (BA), que a melodia da banda Caraivana começou a surgir. O bandolinista Dudu Maia e os irmãos paulistanos Douglas e Alexandre Lora se conheceram ali e imediatamente começaram a arriscar - cada um com seu instrumento - algumas notas de canções conhecidas da MPB, chamando a atenção dos transeuntes que passavam pelo local. Curtindo o som, o produtor e empresário francês Daniel Vangarde, morador da região, convidou o trio para uma temporada de shows no Bar do Porto, na alta temporada do ano seguinte.
''Rolou uma afinidade musical. O Dudu logo depois voltou para Brasília, encantado com o lugar, e me convidou para voltar com ele no ano seguinte para fazer esses shows'', relembra o violonista e compositor Alex Souza, que embarcou no recém-formado sexteto junto com os músicos Fábio Luna e Juninho Billy Joe, nativos da região. ''Ele ficou tão animado que foi botando a pilha em todo mundo. No ano seguinte, todos se conheceram e a música e amizade simplesmente aconteceu. Depois do primeiro encontro, ficamos por quatro anos tocando no palco do Bar do Porto, na temporada de verão'', declara Alex, em entrevista exclusiva para a FOLHA. ''Esse nome surgiu de uma mistura do nome de Caraíva e da palavra caravana, uma referência pelos integrantes serem de quatro cidades diferentes (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Caraíva)'', explica.
A ideia deu tão certo que o Caraivana logo acabou virando uma referência local, e resolveu expandir seu alcance musical. Em 2009, o grupo lançou o primeiro álbum de clássicos da MPB reunindo referências de samba, choro e forró, com releituras de composições de ícones da música brasileira como Pixinguinha, Ary Barroso, Noel Rosa, Edu Lobo, Sivuca e Gonzaguinha. ''Com a gravação do primeiro disco, as coisas se ampliaram. Como a praia é muito frequentada por pessoas de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, sem querer a gente foi formando um público em outras regiões'', analisa Alex, que se surpreendeu com o sucesso do primeiro disco. ''Em 2009, fomos convidados para acompanhar o Comitê Olímpico em Copenhaguem, para a votação do Rio-2016. Ali, nós tocamos para ilustres como Pelé e o Presidente Lula. Descobrimos que a música brasileira, seja em Caraíva ou no Mar Báltico, emociona as pessoas da mesma maneira'', orgulha-se.
Com o lançamento do primeiro álbum autoral da banda - intitulado ''Ser Feliz'' - os amigos têm pela frente um novo desafio: conseguir emplacar suas canções próprias. ''O Brasil vive uma transição fonográfica: a música autoral ainda enfrenta uma grande resistência, e as pessoas acabam querendo escutar apenas o que já conhecem'', admite Alex. ''Mesmo assim, a internet deixou as coisas melhores para o mercado alternativo, e assim as pessoas têm mais acesso à música não-comercial'', aponta o músico, animado com as possibilidades abertas com o novo mercado digital. ''Em nosso site é possível ver todos os nossos vídeos, a história do grupo, fotos, entre outras coisas. As pessoas estão cada vez mais conectadas com tudo, e a internet é uma grande ferramenta para divulgar nosso trabalho'', completa o violonista, emendando que um DVD também já está à caminho, e a prévia de algumas músicas pode ser visualizada no site oficial do grupo.
O experiente sexteto musical Caraivanas é formado por Dudu Maia (bandolim), Alexandre Lora (percussão), Douglas Lora (violão), Alex Souza (voz e violão), Fabio Luna (flauta e percussão) e Juninho Billy Joe (voz e percussão).
Acesse - www.caraivana.com

mockup