Uma cara nova para a noite londrinense
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Nem só de música vivem os músicos londrinenses. Muitos estão começando a ocupar espaço como produtores de bares e casas noturnas. O trabalho deles dá um upgrade no circuito de shows e funciona como um antivírus poderoso contra os modismos do tipo 'só toca sertanejo, pagode ou funk'.
O músico Patrick Catai, dono do Vitrola Bar, teve essa preocupação com a casa. Com 10 anos tocando na noite londrinense, formado em Música pela Universidade Estadual de Londrina (Uel), Catai fez uma produção caracterizando o novo espaço, que os músicos estão ocupando como um movimento.
''A música em Londrina estava carente, sem um lugar com estrutura para shows musicais. É um novo mercado para os músicos, um novo movimento'', afirma Catai.
Ouvido absoluto na hora de definir a programação musical é o que se espera dos produtores musicais - uma função que se assemelha a dos diretores de espetáculos - dando o tom e o ritmo da casa. Nessa função, o essencial é não copiar o que está dando certo em outros lugares.
''Os bares que possuem um produtor musical têm à disposição um profissional com condições de fazer uma seleção minuciosa das bandas e estilos de som'', destaca o músico.
A produção musical também dá uma perspectiva de consciência de classe e de valorização profissional dos músicos.
Catai diz que, não só como empresário da noite, mas no papel de produtor musical, optou por oferecer no bar um equipamento de som completo e o couvert integral para as bandas que se apresentam. Consequentemente, pode exigir e dar preferência às de melhor qualidade.
O músico e produtor musical do Menina dos Olhos Bar e Restaurante, Kiko Jozzolino, acrescenta que o trabalho de profissional nesta área vai além dos bastidores da programação.
Ele conta que ajudou na escolha do endereço da casa, localizada em um dos principais corredores gastronômicos da cidade, e na definição do projeto de sonorização.
''O fato de ser músico também faz com que eu conheça quem é quem no meio artístico. Muitos procuram a gente, querendo tocar no bar, mas não aceitamos todo mundo. A casa tem uma linha de jazz, blues e MPB e somente aceitamos na nossa programação de shows músicos profissionais'', ressalta Jozzolino, acrescentando que a grade de shows já está fechada até o mês de agosto, e que o trabalho de produção musical é de pelo menos 3 horas por dia. Além da escolha das atrações, ele também é responsável pela divulgação.
A produção musical é um aplicativo que não funciona sozinho. Para garantir o sucesso da casa é preciso também um bom serviço de cozinha e visão empresarial para administrar o local.
Jozzolino diz que tem total liberdade dos empresários para definir a programação, podendo criar atrações como o ''Domingo Cultural'', que traz shows com músicos do timbre de André Siqueira e dos reunidos no Menina dos Olhos Blues Band.
''Como os proprietários do bar têm outros quatro em Curitiba, estamos promovendo o intercâmbio entre os músicos londrinenses e os da capital paranaense. O próprio Menina dos Olhos Blues Band já se apresentou lá, gravando inclusive um CD. Através desse intercâmbio pensamos na gravação de um CD por ano. O próximo será com quatro ou cinco bandas que se apresentam nas casas. Queremos também realizar um festival de blues, em julho, trazendo o pessoal de Curitiba para tocar em Londrina''.
Desta forma, produtores como Catai acreditam estar não só mudando a cara da noite, mas também do mercado para músicos profissionais.
''Espero que a participação maior dos produtores musicais em bares e casas noturnas possa garantir mais espaço para os músicos no mercado de trabalho. Não só o público, como as bandas, vão dar mais valor''.


