Uma cantora que vai longe
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A cantora Rose Moraes, uma das belas vozes que embalam a programação musical de Curitiba, acaba de retornar de uma excursão pela Suíça e Estados Unidos. Foram oito meses de temporada. Neste período encontrou-se com artistas brasileiros que conheceu na Suíça, quando morou lá em 1994, e nos Estados Unidos abriu um espetáculo onde a atração principal era Diana Ross. De volta ao ritmo curitibano, planeja apresentações em São Paulo e Rio de Janeiro com o show O enCanto da Poesia, já levado na capital.
A viagem para a América se deu quase por acaso. Uma amiga mandou o CD Brejeira, que Rose Moraes gravou alguns anos atrás, para uma rádio de Washington e como caiu no agrado dos programadores, a artista foi convidada a ir até lá. Cantei em Washington, em Nova York, em vários locais. Inclusive com o The Pulsar, conjunto que veio ao Brasil, com o elenco do Grease, relata. Porém, o mais importante foi participar da abertura do show de Diana Ross, levado ao ar pela rede de TV BET.
Foram duas horas de música brasileira. Rose esteve acompanhada pelo grupo Origem, formado por brasileiros e norte-americanos, especializado em MPB. Aliás, foi graças a um convite deles que a cantora participou do espetáculo, nos estúdios da própria emissora, para um público seleto. Eram 400 pessoas entre gente de cinema, teatro e televisão. Após a apresentação, os cumprimentos: alguns perguntaram se ela era Gal Costa e outros se era Tânia Maria. Esse foi o maior elogio: Meu Deus, quanta honra! Tânia Maria é considerada a rainha do suingue pelos americanos e europeus.
Tudo isso, porém, ficou restrito a um belo momento nos Estados Unidos. Rose não acredita que sua presença num show de Diane Ross venha a ter qualquer repercussão no Brasil. Para ela o que aconteceu reveste-se de ironia quando comparado à realidade nacional onde, para se apresentar, o artista tem que pagar o aluguel do teatro e os músicos. Quanto aos medalhões darem espaço aos que estão na luta por um lugar ao sol como aconteceu em Washington é uma quimera.
Enfim, é a vida. Rose começa a pensar no próximo disco e espera entrar em estúdio até o meio do ano. O repertório deverá ter algumas coisas dos filhos dos pais que gravei no primeiro CD. Então, em vez de Dorival Caymmi e Luiz Gonzaga, optará por Dori e Gonzaguinha. Como há dois anos o projeto trafega na lei de incentivo, a cantora achou por bem levá-lo à apreciação de algumas gravadoras de São Paulo. O que ela não quer é bancar a gravação, como aconteceu na vez passada.
Também dentro de alguns meses deverá ser definida sua participação no festival off de Montreux, que são apresentações paralelas ao evento oficial. As negociações são para 2001. Mesmo o acontecimento suíço tem suas aberrações, diz Rose. Uma delas: colocar no palco Oscar Castro Neves, Eliane Elias, Ivan Lins, Ricardo Silveira e após esse show chamar grupos como Chiclete com Banana e Araketu. Ou João Bosco com pagodeiros. Isso não existe, é uma aberração. Mas eles são o Festival de Montreaux, né meu bem? E nós, o Brasil.
Festivais à parte, a cantora pretende levar o show O enCanto do Poema para São Paulo e Rio de Janeiro. Ele está ganhando novas pinceladas, que não afetam sua essência onde a delicadeza dos textos de Clarice Lispector, Mario Quintana, Ferreira Gullar, Pablo Neruda e Jenny Joseph casa-se com as músicas que ela interpreta. Hoje em dia as pessoas não querem muito ouvir poesia, acredita Rose. Teimosa, a moça vai adiante, e entre junho ou julho deverá cumprir temporada no Supremo, espaço cultural paulistano, por onde passa gente importante como Rosa Passos e Alaíde Costa. Pois é, Rose Moraes não se contenta com pouco.





