Bernardo Pellegrini: letra da música dialoga com a crítica à repressão sexual da trama
Bernardo Pellegrini: letra da música dialoga com a crítica à repressão sexual da trama | Foto: Ricardo Chicarelli



"Dei um Beijo na Boca do Medo", do jornalista e compositor Bernardo Pellegrini, é uma daquelas canções que contam várias histórias, reúnem sentimentos diversos e ganham vida nova a cada voz. Já foi gravada por quatro intérpretes diferentes antes de Simone Mazzer, a primeira na voz da cantora Rosa, integrante do Bando do Cão Sem Dono, no marcante álbum "Dinamite Pura". Teve arranjo em violino e, também, para uma peça de teatro. "Compus em 1994, mas percebo que, hoje, a letra está ainda mais atual pelas identificações que ela traz, pois trabalho com vários signos do mal estar de ser brasileiro que ainda persistem", pontua Bernardo, sobre a existência da metalinguagem calcada em vários autores, citações e refrões conhecidos no decorrer dos trechos que fazem referência a valores patriarcais, relações de poder, herança escravagista.



"Me Chama de Bruna", série com oito episódios com base na vida da prostituta de classe média que ficou conhecida por Bruna Surfistinha, faz essa ponte com o viés marginal de "Dei um Beijo na Boca do Medo", referência a quem enfrenta dissabores e dificuldades da vida e, mesmo diante dos problemas, não fica paralisado, continua caminhando. "Neste sentido, pode ser que a crítica da repressão sexual da trama tenha uma confluência com a letra. Todo ser humano passa por diversas etapas da vida, isso é universal e perene. Saber lidar com os obstáculos e se reinventar é o grande desafio." O álbum "Dinamite Pura", que traz a primeira versão da música, foi o primeiro gravado em Londrina no formato em CD e foi remasterizado recentemente com mais seis faixas inéditas. "Londrina reúne uma potência musical e artística que trasborda arrojo e inventividade." (M.T.)

Imagem ilustrativa da imagem Uma canção, muitas histórias
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