Ao não levantar a poeira do sobejado romantismo nordestino o chão pode parecer árido, mas o céu com que o grupo Bagaceira, de Fortaleza (CE), ilumina a programação do FILO hoje, às 19 horas, na estréia do espetáculo '' o Realejo'', no Teatro Zaqueu de Melo, é orvalhado de sentimentos.
A poesia milimetrada pela atuação do elenco de jovens atores, com os cuidados da iluminação de Rogério Mesquita e Yuri Yamamoto, que também assina a direção da peça, cria a ilusão de que são bonecos.
Por essa partitura fugidia reforçada pela maquiagem e os figurinos colados aos corpos, o grupo encantará o público com a história da linda Marina, moça criada para se casar com Adamâncio, coronel poderoso de uma cidadezinha nordestina.
Com um enredo que aponta o som triste de um realejo para uma alegoria dos sentimentos amorosos no universo cultural do Nordeste, a encenação é quase um oráculo sobre o destino, que reservou para Marina uma paixão pelo vendedor de maçãs Cássio.
O grupo nasceu em 2000, a partir da proposta de criar os próprios textos para que pudessem dirigir e atuar, juntando nessa mesma esquina uma linguagem que está sendo construída ao entrelaçar as inquietações estéticas do elenco.
A medida que avança nesse trabalho, o grupo escapa da caricatura do romantismo nordestino, dividindo a paltrona do espectador comum, com o homem comum e sentimentos comuns dos personagens.

SERVIÇO
- O Realejo. Texto: Rafael Martins. Direção: Yuri Yamamoto. Elenco: Samya de Lavor, Edivaldo Batista, Ricardo Tabosa, Tatiana Amorim, Paula Yemanja, Rafael Martins e Rogério Mesquita. Cenários e Figurinos: Yuri Yamamoto. Sonoplastia: Yuri Yamamoto. Iluminação: Yuri Yamamoto. Duração: 70 minutos.

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